Desemboque, História e natureza


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A Cachoeira “José Inácio” é uma das maiores atrações no Desemboque para quem vai ao povoado em busca de belezas naturais.
A Cachoeira “José Inácio” é uma das maiores atrações no Desemboque para quem vai ao povoado em busca de belezas naturais.
Chegar ao povoado do Desemboque, a 90 quilômetros de Franca e 60 quilômetros de Sacramento (MG), não é fácil. São 60 quilômetros só de estrada de terra. Mas a distância não tem sido impedimento para milhares de turistas que estiveram no arraial desde que o povoado surgiu há 260 anos. Os moradores se orgulham em dizer que foram turistas de várias partes do país e até do exterior. Para que as visitas não se percam, a população mantém um livro de registros na Igreja Nossa Senhora do Desterro, no qual os visitantes deixam suas assinaturas. Maria Aparecida Rezende, 32, responsável pela limpeza das duas igrejas, mostra com satisfação a assinatura do ator Lima Duarte que lá esteve em fevereiro do ano passado. O ator nasceu naquela região. Mas o que leva tanta gente ao vilarejo? A história e a beleza natural. O que mais chama a atenção de quem chega ao arraial são as duas igrejas. Uma em cada ponta da avenida que corta o povoado. Não há quem não pergunte o motivo de duas igrejas tão grandes para uma vila tão pequena. A explicação é simples. A Igreja Nossa Senhora do Rosário, situada logo na entrada da cidade e construída em 1785, era usada pelos negros. Hoje está vazia e permanece fechada. Na outra ponta, está a Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro, construída em 1762. Na época, o povoado tinha mais de 500 moradores. “Agora só usamos a do Desterro, onde uma vez por mês um padre de Sacramento reza missa para gente”, disse Maria Aparecida. [FOTO2] Os moradores têm verdadeira adoração pela Igreja e ficaram desolados quando o sino foi roubado. “Aconteceu há 20 anos, mas a gente ainda não esqueceu. Os bandidos vieram numa noite, mas não conseguiram pegar o sino, que acharam que era de bronze, mas não era. Alguns moradores os espantaram com tiros. Os bandidos não se conformaram e voltaram dois dias depois durante o dia e armados. Eles obrigaram as pessoas a tirarem o sino da igreja e colocar na caminhonete. O pessoal ficou muito triste, mas felizmente ele foi recuperado dias depois”, conta Edivaldo de Rezende, 35, que mora no bairro há três anos, mas freqüenta a igreja desde pequeno quando morava em uma fazenda. Outro atrativo do povoado é a cachoeira José Inácio, que fica a 12 quilômetros depois do arraial. Em dias de chuva é preciso deixar o carro no alto da serra e andar 30 minutos a pé. A volta é um pouco mais demorada em razão da subida. Colaborou Leandro Cruz

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