“É um pedido absurdo. É impossível reajustar salários nesses percentuais”. A frase, do secretário de Administração e Recursos Humanos, Jerônimo Sérgio Pinto, dá um banho de água fria nos servidores municipais, que entraram em campanha salarial há menos de dois dias e pedem 14,2% de aumento.
Com 3,6 mil servidores, entre aposentados e pensionistas, a folha mensal da Prefeitura gira em R$ 8 milhões, incluindo encargos sociais. Se concedesse um reajuste de 14,2%, teria, mensalmente, R$ 1,2 milhão a mais de despesas. O valor não ultrapassaria o percentual que ela pode destinar ao pagamento de servidores, mas, Jerônimo acredita que é preciso ter cautela. “Gastamos com servidores em torno de 43 a 45% das receitas. Poderíamos gastar até 51,3%”, diz Jerônimo.
A pauta de reivindicações, aprovada pela categoria, foi protocolada na última quinta-feira e chegou às mãos do secretário na manhã de ontem. Jerônimo ainda não estudou as propostas, mas adiantou que as perdas salariais, em torno de 11,56%, poderão ser discutidas, mas, no entanto, dificilmente aceitas. “Não reconhecemos as perdas salariais entre 1997 e 2007 porque, nesse período, os servidores tiveram abonos e incorporação no vale-refeição”.
Além do aumento, as principais reivindicações aprovadas pelos servidores incluem abono escolar de R$ 150, tíquete de alimentação de R$ 130 e vale-transporte para quem recebe até R$ 1.980.
Para o secretário, um reajuste de 3% seria o ideal. “Esse é o percentual médio da inflação. Isso não significa que fecharemos nesse índice. Temos que analisar as receitas da Prefeitura e as propostas”.
O presidente do Sindicato do Servidores, José Nhozinho Sales, o Paraná, disse que as propostas foram elaboradas dentro do orçamento da Prefeitura e é estipulada de acordo com o ICV (Índice do Custo de Vida), do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos). “Nós não pedimos nada mais do que temos direto”, afirmou.
Neste final de semana, o secretário de Administração vai analisar a pauta e fazer as avaliações. Provavelmente, na quarta-feira da semana que vem, ele apresentará a análise ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB). “Depois que o refeito autorizar, encaminharemos a contraproposta ao sindicato dos servidores, por escrito. Só então abriremos negociação, se for o caso”.
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