Responda rápido. Qual a língua oficial da Liga Sul-Americana de Basquete? Engana-se quem pensou ser o português ou o espanhol. Ouvir reclamação, xingamentos e conversas em inglês na quadra do Poliesportivo, durante a disputa da Liga Sul-Americana, que começou ontem e termina amanhã, é fácil. Jogadores vindos do lugar onde está o melhor basquete do mundo, os Estados Unidos, mostrou-se uma regra. Dos quatro times da competição - Malvin, San José, Gatos de Monagas e Unimed/Franca - todos têm jogadores norte-americanos em seus plantéis e, detalhe, como titulares.
Na estatística, entre os 48 jogadores da disputa, 14,5% são americanos. Considerando-se somente os titulares, chega a 30%. Dirigentes dos times explicam essa realidade como fruto da abertura do mercado da NBA para jogadores de outros países. Neste ano houve recorde de transferência para os Estados Unidos. Foram 83 atletas de 37 países. Dez anos atrás, esse número era de 32 estrangeiros de 18 países.
Se a Liga americana é preenchida com gente de fora, os conterrâneos precisam procurar espaço. A primeira opção é a Europa. Depois, a América Latina. “Com o fim do socialismo, a NBA começou a abrir para os europeus e pessoas de outras nacionalidades. Hoje temos três brasileiros competindo bem lá”, disse o ex-supervisor de esporte Fernando Minucci. A internet também ajudou. O portal latinbasket.com, por exemplo, com registro de 130 mil jogadores e treinadores de todo o mundo, permite acesso a informações do basquete com poucos clicks. “Ter acesso a vídeos e estatísticas do esporte americano ficou bem mais fácil”, comentou Minucci.
Mesmo fora de seu país, esses jogadores ganham bem. Os salários dos norte-americanos são pagos sempre em dólar e os valores variam entre US$ 2 mil e US$ 8 mil. No San José, do Paraguai, há um dos jogadores mais caros. Apesar de não oficial, o salário de Mark Strickland, com experiência de nove temporadas na NBA em equipes como Indiana Pacers, Atlanta Hawks e Miami Heat, é estimado em cerca de US$ 7 mil ou perto de R$ 14.500.
Além dele, há mais dois norte-americanos no time, ambos vindos da Liga Universitária, Calvin Morris e Mark Williams. “Os três certamente serão titulares. Os outros definiremos antes do jogo”, disse o técnico da equipe paraguaia, Horácio Segui, anteontem, dando idéia da importância deles no time.
De qualquer forma, o trio não fez jus à fama. Na estréia foram derrotados pelo Unimed/Franca, que conta apenas com Derrick Lang. Gato de Monagas, da Venezuela, tem o armador Romel Beck.
Eles saem um pouco das estatísticas norte-americanas e ainda contam com Kibwe Trim, de Trinidad e Tobago, e Jorge Diaz, da Colômbia. Os norte-americanos do Malvin, do Uruguai, são Francis Sekani e Kim Adams.
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