Violência e impunidade...


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"É bom lembrar que esta cidade não é uma selva, porque na selva o otimismo milenar criou regras de comportamento. O mais forte devora o mais fraco dentro de um equilíbrio ecológico e natural. Na megalópole sem respeito pelo humano, como o Rio, a situação é muito pior. Aqui não há regra ou lei, a não ser a da cobiça, que contamina e explode na noite escura em orgias de sangue, rito e celebração de um tempo de assassinatos". (Informe Jornal do Brasil, de 25 de julho de 1982). Em 1982, a população do Brasil era de aproximadamente 110 milhões de habitantes e havia 50 milhões de jovens com menos de 20 anos de idade. Atualmente, estima-se que haja 186 milhões de habitantes. Na obra A Criminalidade no Brasil (Meio Milênio de Repressão), de Virgílio Donnici, publicada em 1984, o autor faz um relato da criminalidade no Brasil de 1500 até àquela data. A obra confirma que em todas as épocas, a população teve de lidar com violência e criminalidade. E é estado com letra minúscula mesmo, pois é assim que se pode demonstrar um pouco da indignação pelo descaso e pela falta de comprometimento que esse país sempre teve com a sua população espoliada por impostos, sem receber nada em troca. Paga-se imposto para se investir na saúde e o dinheiro desaparece nas mãos dos irresponsáveis. O Fisco cobra pela segurança, mas é a insegurança que prevalece. É recolhido mais imposto para a educação, mas é o analfabetismo que vence nas urnas. Os deputados são pagos para elaborar leis que visem o bem comum e punam exemplarmente o criminoso, mas o que fica é a impunidade e a injustiça. E assim caminha a brasilidade. A passos de formiga e com muita má vontade. Não há como corrigir o cenário se não há preocupação com a criança brasileira. É na infância, através de maciços investimentos em educação que se prepara o jovem, futuro adulto, para a vida em sociedade. A sociopatia demonstrada pelos jovens desse país é o reflexo da indiferença do poder público nos primeiros e decisivos anos da vida da criança. Opressão e opressores fazem parte da cultura e do inconsciente coletivo do brasileiro, o que não é desculpa para que nada seja feito. A violência das grandes e pequenas cidades desvirtua e conspurca o senso de comunidade, que na essência quer dizer identidade, igualdade, conformidade. Uma olhadela pelos bairros mais nobres e se constata o retorno do feudo. Com medo da barbárie as pessoas estão aumentado a altura dos muros de suas residências, se defendendo com arames farpados e cercas elétricas. A população de bem se prende nas grades de suas residências, enquanto os malfeitores andam livremente pelas ruas. Existem, ao todo, mais de 350 mil mandados de prisão, só não há como acomodar esse contingente nas cadeias porque não há espaço físico. Os que já estão cumprindo pena estão amontoados e misturados. Criminosos de alta periculosidade estão convivendo com o pai que não pagou a pensão do filho porque se encontrava desempregado; e isso é fala de Juiz, em entrevista recente, veiculada pela televisão. No Brasil, as questões de maior relevância são sempre secundárias. Por isso é que o feudalismo está de volta. NADIR A. CABRAL BERNARDINO é advogada, formada pela FDF, pós-graduada em Política e Estratégia e Direito Ambiental

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