A brutal morte da francana Juciléia Garcia Duarte, 27, vai muito além de um simples desentendimento entre traficantes e revela detalhes assustadores do submundo do crime organizado. A ordem para a tortura e execução dela teria partido de um dos líderes do PCC (Primeiro Comando da Capital) preso em uma penitenciária do Interior paulista.
Juciléia assinou sua sentença de morte ao tentar matar a mulher de um dos integrantes da facção em Ribeirão Preto. Numa tentativa desesperada de salvar a vida, disse aos carrascos que estava agindo a serviço de três policiais civis de Franca, que integrariam um esquadrão da morte.
Os detalhes do assassinato foram obtidos por meio de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e são mantidas sob sigilo pela cúpula da Polícia Civil. O grampo flagrou o exato momento em que o “general” da facção determinou aos comparsas que torturassem a francana.
Pelo menos quatro fontes diferentes disseram ao Comércio, sob a condição de anonimato, que as escutas foram feitas por promotores do Gaerco (Grupo de Atuação Especial Regional Para Prevenção e Repressão do Crime Organizado), de São José do Rio Preto. Eles monitoravam o telefone celular de um bandido preso em uma penitenciária no Interior do Estado.
TRAJETÓRIA
Acredita-se que pelo menos três criminosos mantivessem Juciléia como refém em um imóvel na periferia de Ribeirão Preto. No início da madrugada de domingo, eles ligaram para o chefe dizendo que a mulher estava nas mãos. Pediram instruções. “É furada. Ela está mentindo. Sem dó, sem dó, quebra o dedo dela, quebra a perna dela”, foi a determinação.
Após relutar e ser torturada, ela fez uma grave acusação: disse que a determinação para matar a mulher havia partido de um delegado e de dois investigadores de Franca. Completou dizendo que eles integravam um grupo de extermínio. A justificativa apresentada por Juciléia parece não ter sido suficiente para convencer seus algozes. Ela continuou sendo espancada passou todo o fim de semana nas mãos dos criminosos.
No início da noite de domingo, Juciléia falou pela última vez com sua família em Franca. Como se estivesse fazendo seu último desejo em vida, ligou para o pai e, chorando muito, pediu para falar com o filho. O garoto de apenas três anos estava dormindo e não foi acordado. Ela desligou em seguida.
Na terça-feira, seu corpo foi encontrado no meio de um matagal próximo do Rio Pardo, na divisa de Ribeirão Preto com Jardinópolis. Policiais constataram que ela apresentava sinais de tortura, queimaduras no peito e uma lesão provocada por arma de fogo na cabeça. Parte do corpo e o pescoço estavam amarrados por um fio. Também estaria com uma lesão em um dos dedos da mão esquerda. O grampo telefônico não teria interceptado a execução.
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