O sonho de tocar um projeto social de basquete tornou-se realidade na vida de Guerrinha, ex-jogador de Franca e hoje técnico do time masculino do Rio Claro. Seu trabalho voluntário ganhou força, já que tem em suas mãos internos da Fundação Casa Escola (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente), antiga Febem, de Rio Claro. O trabalho na unidade é realizado uma vez por semana, com uma hora de duração. E teve início em janeiro. Sua iniciativa despertou o interesse da Confederação Brasileira de Basquete em estabelecer uma parceria com a fundação. Assim, a CBB, que já tem um projeto para jovens carentes, o Centro de Basquete Integrado (CBI), que atua em nove Estados, fica responsável pela doação de materiais esportivos, como bolas e coletes, bem como pela capacitação de professores.
O modelo de capacitação de profissionais já é desenvolvido por Lula Ferreira, técnico da seleção brasileira masculina. Lula, inclusive, se colocou à disposição para atuar no projeto. Em uma visita a Rio Claro, no início do ano, com a seleção brasileira juvenil, Lula foi convidado por Guerrinha a visitar a unidade. O técnico da seleção saiu de lá “emocionado” e cheio de idéias. “O intercâmbio foi maravilhoso. Eles jogaram, cantaram juntos....”, lembra Lula. Além de formar técnicos, Lula pensa em realizar um curso de árbitros e mesários para que os garotos saiam de lá com alguma especialização. “Os garotos terão o poder de decidir um jogo, de julgar o que é certo ou errado. Imagina o impacto que isso vai ter na vida deles”, diz Lula.
Mais importante que a capacitação, segundo Guerrinha, é fazer com que esses meninos se motivem. “As atividades são fundamentais para esses garotos ocuparem a cabeça”, diz Guerrinha. A idéia é expandir o projeto para outras unidades. Na semana passada, o ex-jogador se reuniu com a área técnica do governo do Estado de São Paulo, que cuida da Fundação Casa Escola. A parceria deve ser assinada em breve, segundo Guerrinha. “Achei um diamante e queria dividi-lo com todo mundo”, diz Guerrinha. Na unidade moderna de Rio Claro, com quadra de basquete e toda infra-estrutura, Guerrinha trabalha com 36 garotos, com mais tempo de internação - a unidade atende cerca de 60. E apenas um garoto, segundo ele, já tinha visto um jogo de basquete. Um vídeo foi exibido e, aos poucos, os garotos foram tomando gosto pela modalidade. “Não quero estabelecer muitas regras. A preocupação não é com a beleza do basquete dos garotos, mas com a alma deles”.
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