Uma vida sem futuro. Juciléia Garcia Duarte, 27, cresceu envolvida com a criminalidade e não tinha trabalho fixo. Há dois anos, ela e a mãe foram presas em flagrante acusadas de tráfico de drogas. Segundo a polícia, estaria metida com bandidos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e seria uma das maiores distribuidoras de crack e ecstasy na zona norte de Franca. Sua trajetória terminou de maneira brutal em Ribeirão Preto.
Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça e com marcas de tortura pelo corpo. Espancada e amarrada antes de morrer, ela teve um dedo quebrado pelos bandidos. A polícia ainda não sabe os motivos de tanta violência, mas acredita que o assassinato tenha sido motivado por algum acerto de contas de dívidas com o tráfico.
Juciléia morava com familiares na Vila Santa Luzia e viajava com freqüência para Ribeirão Preto, para onde teria se mudado há um mês. A polícia recebeu a informação de que ela se prostituía naquela cidade e tinha o hábito de ficar vários dias longe de casa. O dia exato de sua morte é incerto. O corpo foi encontrado terça-feira à tarde em um matagal nas margens do Rio Pardo, próximo à Rodovia Anhangüera. Algumas crianças que tentavam chegar a um clube avistaram a mulher caída já sem vida e pediram socorro a um sitiante.
A vítima estava descalça e vestia uma bermuda e blusa preta. Policiais constataram que ela apresentava marcas de espancamento, várias lesões na face e um ferimento provocado por arma de fogo na cabeça. Parte do corpo e o pescoço estavam amarrados por um fio. Ao lado, foi encontrada uma bolsa de pano com papéis, roupas íntimas e batom. Não havia documentos pessoais, apenas uma carteira de vacinação do filho dela, o que não era suficiente para a identificação.
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No início da tarde de ontem, familiares de Juciléia estiveram no Centro de Medicina Legal de Ribeirão e reconheceram o corpo. A ocorrência é investigada pela equipe de homicídios da DIG da cidade vizinha. Segundo a polícia, ainda não foi encontrada nenhuma pista que possa levar aos autores do crime. Uma fonte que pediu anonimato disse que os investigadores apuram a informação de que a mulher pudesse estar nas mãos dos criminosos e sendo torturada desde a última sexta-feira.
Na noite de ontem, o pai de Juciléia, Remacro Macedo de Oliveira, falou ao Comércio e disse não saber os motivos pelos quais a filha foi morta com tanta brutalidade. “Não posso falar nada. Não tenho a menor idéia do que aconteceu. Ela se mudou para Ribeirão Preto há um mês e eu não sabia o que estava fazendo lá”.
Juciléia Garcia Duarte era solteira e mãe de um filho de três anos. Segundo a família dela, o corpo será velado no Santo Agostinho. O sepultamento está marcado para as 10 horas, no mesmo cemitério, e será realizado com trabalhos da Funerária Francana.
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