A mulher torturada e morta em Ribeirão Preto era investigada pela Polícia Civil de Franca e respondia a inquérito na Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Seria intimada a prestar depoimento nos próximos dias para falar sobre seu envolvimento com o tráfico. Ela era acusada de agenciar a compra de drogas por telefone.
No segundo semestre do ano passado, Juciléia foi flagrada por escutas telefônicas tentando negociar a compra de uma carga de ecstasy com um fornecedor de Ribeirão Preto. Ela falava sobre uma festa rave que seria realizada em Franca e da necessidade de adquirir mais drogas para distribuir aos baladeiros viciados. A transcrição do diálogo foi publicada pelo Comércio em outubro. “Meu querido...(risos), sem palavras, que loucura...
(risos). Deixa eu falar, vai ter uma festa aqui no fundo da cidade, chama “paiol”, no meio do mato. Eu não tenho mais nenhuma, nenhuma”.
O fornecedor respondeu que só tinha uns 15 comprimidos. Ela se desesperou e implorou por ajuda. “Pelo amor de Deus. Vê ai o que você faz. Cê sabe que aqui a cidade é lôca. Tem gente querendo e eu não tenho. Tem um maluco que tá querendo pegar uma cota boa, entendeu? Umas 100 ou 150. Eu falei que faço para ele preço bom”.
Segundo o delegado Pedro Luiz Dallaqua, Juciléia também estaria intermediando a vinda de grande quantidade de crack para Franca. “Ela negociava a compra e também vendia pequenas porções para usuários”. A mulher teria ligações com Adriano Sales Gomes, o “Belo”, expulso do PCC por ter mandado matar uma pessoa de forma equivocada no ano passado, e com Renon Tomás da Costa, 29, o “Vaca”, apontado como um dos caixas da facção e suposto comandante do crime na zona norte. Ambos estão presos.
“É possível que o envolvimento com tráfico possa ter provocado a morte dela, mas não posso fazer afirmações. A investigação sobre as causas do homicídio será feita pela DIG de Ribeirão Preto”.
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