Bebê alérgico espera vacina há três meses


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O pequeno Pedro Henrique Benedetti, de quatro meses, sofreu reação alérgica à vacina tríplice bacteriana e quase morreu: agora, precisa de medicamento especial para ser imunizado
O pequeno Pedro Henrique Benedetti, de quatro meses, sofreu reação alérgica à vacina tríplice bacteriana e quase morreu: agora, precisa de medicamento especial para ser imunizado
Três meses. Esse é o tempo que o bebê Pedro Henrique Benedetti, de quatro meses, aguarda para receber a vacina quadrivalente (antiga tríplice bacteriana), que previne doenças graves como meningite, difteria, coqueluche e tétano, que podem matar ou deixar graves seqüelas. Em 5 de dezembro, chegou a ser vacinado na UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião, mas sofreu uma reação alérgica e quase morreu. Esse tipo de problema atinge entre 1% e 3% das crianças. Desde então, Pedro espera, sem imunização, a chegada de uma vacina especial (chamada acelular) que tem de ser fornecida pela rede pública mas, até agora, não foi providenciada nem pela Prefeitura, nem pelo Estado. "É um jogo de empurra horroroso. Não quero saber de quem é a culpa, o que quero é que vacinem meu bebê", disse Márcio Augusto Benedetti, 39, pai de Pedro. Segundo o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, a vacina foi solicitada e deve chegar em duas semanas. Ele afirma que a falta do medicamento é "comum" e que as doses só são entregues quando surgem novos casos de bebês alérgicos. "Estou desde 2005 aqui e nunca tivemos estoque. Todo início de mês, enviamos um relatório ao Crie (Centro de Referência de Imunização Estadual) e eles mandam as doses certas. Não é o ideal, mas é o protocolo", disse. De acordo com Ferreira, a Prefeitura não pode comprar a vacina, que custa R$ 70, para amenizar o problema. "Como existe o fornecimento pelo Estado, não podemos comprar. Infelizmente, as crianças têm de ficar sem a imunização até que as doses cheguem", disse. Questionado sobre a quantidade de crianças que aguardam a vacina acelular, Ferreira deu, inicialmente, o número de duas. Ao saber da reportagem que, segundo fonte da Vigilância Epidemiológica, seriam 60, Ferreira se espantou. Pediu uma pausa na entrevista e entrou em contato com o órgão, que forneceu outro número. "Realmente, deve ter havido algum engano por parte do responsável (o médico Homero Rosa). O número real fica entre 18 e 20 crianças", disse. "Já falei hoje (ontem) no Crie e vou cobrar novamente as vacinas". DESESPERO No dia 5 de dezembro, Pedro foi levado pelos pais, Márcio e Vanessa, à UBS para tomar a vacina quadrivalente. Poucos instantes após a aplicação, começou a chorar compulsivamente e apresentar reações. "Ele ficou todo roxo e foi perdendo o ar. Chegou a ficar sem respirar. Foi terrível", disse o pai. Márcio disse ter ingressado ontem com uma ação judicial contra a Prefeitura para garantir a imunização. "Ganho R$ 550 por mês e não posso comprar as vacinas nem deixar meu filho correr riscos", disse.

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