Construindo uma vida nova a partir da coleta de lixo urbano


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Coletor da Colifran há 15 anos, Edson Antônio Borges foi promovido a motorista há um mês: com o emprego de lixeiro, fez a casa própria e comprou carro
Coletor da Colifran há 15 anos, Edson Antônio Borges foi promovido a motorista há um mês: com o emprego de lixeiro, fez a casa própria e comprou carro
Edson Antônio Borges, 35, funcionário da Colifran há 15 anos, é um dos lixeiros promovidos a motorista mais recentemente. Há um mês, ele trocou o corre-corre das ruas pela direção do caminhão coletor. "Fazia tempo que queria virar motorista e ganhar melhor. Esperei sete meses pela vaga, fiz os testes e fui aprovado. O trânsito é um pouco estressante, mas dirigindo, fico menos cansado", disse. Edson circula pelo Parque Progresso, Parque dos Lima, Vila Santa Rita, Santa Teresinha e outros bairros, mas ainda não calculou quanto anda. Estima que sejam cem quilômetros diariamente, das 6h30 às 14h30. Ele dirige a 10 km/h. "Tem que ser devagar para os colegas não se machucarem. Quando o caminhão está cheio, reduzo ainda mais a velocidade". Na cabine, a atenção é geral. Os dois retrovisores do veículo são grandes guias. Por eles, Edson acompanha todos os movimentos dos quatro lixeiros que transporta. Os ouvidos também estão sempre em alerta. Assobios dos companheiros são sinônimos de pisar no breque ou prensar o lixo para caber mais. O motorista começou a trabalhar cedo. Aos 8 anos de idade, já costurava sapatos para ajudar em casa. Após anos como sapateiro, com 20 anos, resolveu ser lixeiro. "O calçado estava muito parado e, como tinha casado, precisava de uma renda fixa, de um salário no qual pudesse comprar coisas parceladas. Virei coletor." Ele está feliz na profissão. "Não foi fácil começar, mas também não é algo tão horrível. A gente consegue. Acho melhor trabalhar mais livre, sem chefe em cima da gente, pressionando." Com o dinheiro conseguido como lixeiro, Edson e a mulher conseguiram comprar um terreno no Jardim Tropical onde construíram a casa de cinco cômodos para morar com os filhos de 13 e 6 anos, além de um carro. "O salário não é alto. Tem que saber controlar e dividir. Para construir a casa, chegava à tarde da coleta e costurava uns sapatos para aumentar a renda", disse Edson. Agora, planeja pintar e colocar calhas na residência, além de trocar o chevette 81 que o sogro o ajudou a comprar. "Vou batalhar para realizar esses sonhos." O funcionário recebia R$ 500 de salário e deve passar a receber R$ 715.

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