Produtor alega ser do PCC e faz ameaças a sócio


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Nas cartas enviadas ao comerciante, produtor musical fazia ameaças de morte à vítima e demonstrava conhecer a rotina de sua família: Para amedrontar o amigo, acusado dizia ser integrante de facção criminosa
Nas cartas enviadas ao comerciante, produtor musical fazia ameaças de morte à vítima e demonstrava conhecer a rotina de sua família: Para amedrontar o amigo, acusado dizia ser integrante de facção criminosa
Há cinco meses, FF, dono de uma loja de instrumentos musicais no Centro passou a receber cartas e telefonemas ameaçadores. O autor se apresentava como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital) e dizia que mataria a vítima e sua família. O comerciante entrou em pânico e denunciou o caso à polícia. Como as ameaças não cessaram, investiu em equipamentos eletrônicos para tentar identificar o autor. Recebeu o apoio incondicional de AS, um sócio, durante as investigações particulares. O caso foi esclarecido ontem e teve um desfecho surpreendente. O tormento do comerciante começou em setembro, quando chegou em casa e encontrou uma carta anônima no portão. O remetente se apresentava como detento da penitenciária de Araraquara, dizia ser integrante do PCC e demonstrava conhecer detalhes da rotina da vítima, da mulher e dos filhos dele. Desde que as ameaças começaram, foram cerca de dez cartas e telefonemas diversos. O autor não fazia exigências, mas submetia o comerciante a torturas psicológicas. Em todas as correspondências, era desenhado o rosto de um homem cortado com um X. Para a vítima, era um sinal de que o remetente dizia “vou te eliminar”. Diante da gravidade da situação, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) entrou no caso e os investigadores Calil e Élcio foram escalados para tentar identificar a origem das ameaças. O comerciante, por conta própria, fez rondas por três semanas acompanhado do sócio, que é produtor musical. Também instalou um identificador de chamadas em sua casa e câmeras eletrônicas em um vizinho para tentar filmar a pessoa que deixava as cartas. O sócio era o responsável por monitorar as filmagens. Ao ouvir um dos recados ameaçadores deixado na secretária eletrônica, o comerciante percebeu que a voz era familiar. Começou a desconfiar do sócio. As suspeitas se intensificaram quando ele encontrou um papel amassado sobre a mesa do “amigo”. Para seu espanto, notou que a folha era idêntica à das cartas que havia recebido. Um caderno do produtor musical com as páginas numeradas foi apreendido. “Notamos que algumas folhas haviam sido arrancadas. Os números ausentes no caderno eram os que constavam nas correspondências enviadas à vítima”, contou o investigador Calil. Uma das cartas foi escrita em uma folha com o nome de um hospital da cidade. Entre os pertences do produtor musical, os policiais apreenderam um bloco de anotações com o mesmo timbre. “Eu não dormia com o inimigo, mas convivia com ele na minha casa”, disse a vítima.

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