Caí números de adeptos da Quaresma


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O padre José Geraldo Segantin lamenta o fato da Quaresma ter perdido força entre os católicos. Segundo ele, os fiéis precisam desse período para reflexão
O padre José Geraldo Segantin lamenta o fato da Quaresma ter perdido força entre os católicos. Segundo ele, os fiéis precisam desse período para reflexão
Quarenta dias sem comer carne vermelha, sair de casa, varrer o chão, cortar os cabelos, ingerir bebidas alcoólicas: tudo isso é coisa do passado. Nos dias atuais, muitos fiéis estão deixando de aderir às tradicionais penitências da Quaresma. Iniciada na Quarta-feira de Cinzas e com término na Semana Santa, esse período de jejum tem como objetivo fazer com que os fiéis se privem dos prazeres da vida como prova de rendição a Deus. Contudo, a dispersão da crença religiosa, a modernidade e a discordância de alguns fiéis com esse antigo costume têm contribuído para a diminuição dos adeptos às privações típicas do período. O estudante Felipe Marques, 18, aprendeu na religião católica quando criança o significado da abstinência nesta época, mas disse que não pratica por achar que Deus não quer sacrifício. “Meu jeito para ficar mais perto de Deus é rezar, ajudar o próximo, fazer caridades, entre outras coisas. Não é necessário penitências” afirma. Para o Padre José Geraldo Segantin, a tradição deve persistir. “Muitos jovens sequer sabem desse significado da Quaresma. Famílias cristãs não transmitem e nem exigem que seus filhos aprendam os ensinamentos bíblicos e façam o tradicional sacrifício”, reclama. Segundo ele, uma prática religiosa menos intensa também contribui para essa transformação da Quaresma atual. “Antigamente, as pessoas eram mais conservadoras, até mesmo os bailes e festinhas eram proibidos na cidade durante estes dias. Hoje, a quarentena é tratada como dias normais. Ninguém se lembra que estamos em um período de reflexão”, disse, ressaltando que ensinamentos pela igreja não faltam. SIGNIFICADO A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão e reflexão. Sua duração está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia, que trata dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública. Há alguns séculos, líderes religiosos faziam com que os fiéis tivessem medo de Deus e, talvez por isso, as pessoas se penitenciavam mais. Hoje trabalham diferente. “Nosso objetivo é provar que Deus é o nosso melhor amigo. Falamos da verdade de Deus para os fiéis, mas não podemos obrigar ninguém a participar da Quaresma”, completa Segantin. Mesmo com a queda de adeptos, ainda há diversas pessoas que seguem a doutrina de abstinência. O jovem estudante Natan Silva, 16, é uma delas. “Estou indo à missa todos os domingos e não estou bebendo refrigerantes. Acredito nessa fase de arrependimento e pretendo ficar de jejum até o fim”, afirma.

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