Nove atendimentos médicos em 30 dias e nenhuma solução. Essa é a situação que o jovem Paulo Ricardo de Souza, 20, enfrentou ao recorrer ao PS “Dr. Janjão”. Portador de paralisia parcial nas pernas e nos braços, ele sofre com fortes dores na coxa esquerda e virilha desde o fim de janeiro. Em todas as vezes que buscou auxílio, os médicos receitaram apenas tratamentos paliativos.
Até agora, Paulo não sabe o que tem. “Sinto dor o dia todo, não durmo, não consigo fazer nada. Já fui várias vezes no médico e não resolveram. Só quero que isso acabe”, disse.
Paulo não anda e passa a maior parte do dia preso a uma cadeira de rodas. Nas consultas, o pai chegou a pedir encaminhamento para a Santa Casa, mas a solicitação foi negada pelos médicos do PS.
Na maioria das vezes, foram receitados analgésicos, antiinflamatórios e realizados exames de raio-x. “Dava dó, porque ele chorava de dor e a gente não podia fazer nada para ajudar”, disse a dona de casa Luzinete Lima Souza, 35, mãe de Paulo.
Ontem, as dores aumentaram tanto que Paulo pedia para morrer. Os familiares, desesperados, procuraram a rádio Difusora que, por meio de seus profissionais, conseguiu o atendimento.
“Ele chegou a pedir para que o pai o matasse para acabar com o seu sofrimento”, diz Maria Rosa de Souza, 43, tia do jovem.
Segundo ela, até remédios usados em pacientes com câncer chegaram a ser receitados. “Chegaram a dar a ele remédio usado em pacientes com câncer, mas nada adiantou. O plantonista chegou a dizer que os remédios que passariam no hospital ele mesmo receitava”.
A família, então, procurou a rádio Difusora pedindo ajuda e, por intermédio do radialista Marcelo Valim, que também é vereador, uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) móvel da Prontomed foi até a casa de Paulo e, após avaliação, levou o jovem à Santa Casa, onde foi atendido e medicado.
“O paciente retornará na próxima terça-feira para a seqüência do tratamento. Faremos o que for necessário para resolver o problema”, disse a assessora de imprensa Jacinta Sad.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, disse, por sua vez, que não tinha conhecimento do caso, apesar de várias passagens do jovem pelo PS, e que investigará os procedimentos adotados pelos profissionais que o atenderam.
HISTÓRIA
Paulo era uma criança normal até os 9 anos, quando, ao correr atrás de uma pipa, atravessou a rua sem olhar e foi atropelado por um carro. Gravemente ferido, ficou em coma por mais de seis meses e chegou a ser desenganado pelos médicos. Mas, com o passar dos dias, foi se recuperando até conseguir voltar para casa. Não perdeu as faculdades mentais, mas, como seqüela do acidente, perdeu a maior parte dos movimentos nas duas pernas e no braço esquerdo. Consegue, no máximo, engatinhar.
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