Os vereadores aprovaram ontem, requerimento de autoria coletiva que pretende saber da Santa Casa o que ocorreu com o R$ 1 milhão destinado para a realização de cirurgias eletivas no município.
A verba, prevista inicialmente para o Orçamento do Legislativo, foi repassada para as eletivas no final do ano passado, por iniciativa do então presidente Marcelo Mambrini (PMN). Desde então, não houve prestação de contas de seu investimento.
A iniciativa da Câmara vem no mesmo dia em que o Comércio publicou matéria na qual o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) fez uma cobrança pública ao hospital. Segundo o tucano, a Santa Casa teria de fazer mais de 1,1 mil operações até o fim de março.
Contudo, entre dezembro e janeiro, fez somente 306. “O dinheiro está no caixa. É só fazer as cirurgias que pagamos”, disse o prefeito.
Ontem, Marcelo Valim (PSDB) foi o primeiro a abordar o assunto na tribuna da Câmara. “Alguém pode me dizer onde está o dinheiro?” A pergunta foi a introdução para cobranças mais contundentes. “Um hospital que recebe dinheiro público tem que prestar contas. Na hora de vir pedir dinheiro, está tudo certo. Na hora de dizer onde investiu, é uma dificuldade”.
Depois das palavras de Valim, Gilson Pelizaro (PT) propôs o requerimento. “Seria o caso de recebermos um relatório mensal com os procedimentos executados e com os previstos, mês a mês. Sugiro que façamos um requerimento solicitando as informações”, disse, e foi apoiado imediatamente pelo colega tucano.
Assinado pelos 15 vereadores, o requerimento solicita dados detalhados do assunto à Santa Casa. Segundo o texto do documento, os vereadores querem saber o número, o tipo e o valor de cada cirurgia já realizada, os recursos que o hospital já recebeu, a relação de nomes dos pacientes atendidos e a previsão para a realização das próximas cirurgias.
O ex-presidente Mambrini, autor da proposta que previa o repasse dos recursos, ficou satisfeito com o requerimento. “Uma das ações que eu pensei em ter neste ano já era essa, de saber o que foi feito desse dinheiro. Agora, eu só tenho que abraçar junto dos demais colegas esse requerimento e cobrar de quem de direito a realização das cirurgias”, disse.
CEI
Em meio às críticas sobre o uso das verbas das eletivas, Valim e Pelizaro chegaram a propor até a formação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para analisar as contas da Santa Casa, que hoje tem um déficit mensal de R$ 842 mil. “A Santa Casa precisa começar a abrir as suas portas. Abrir a sua caixa preta”, disse Valim. A idéia, no entanto, ainda não passou para o papel. “Isso é um assunto que precisa ser estudado melhor”, afirmou Pelizaro.
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