A crise no Metrô


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A demissão do presidente do Metrô, noticiada pela imprensa, não pode ser considerada como solução para a crise deflagrada pela cratera de Pinheiros, irregularidades na estação Fradique Coutinho e outros problemas registrados na Linha Amarela. A comunidade paulistana continua no aguardo de respostas convincentes às questões levantadas e, mais que a comunidade, as vítimas esperam a mais ampla e possível reparação aos seus prejuízos. São muitos problemas para que apenas um mexer ou trocar de cadeiras entre executivos e técnicos possa aplacar a dor daqueles que perderam seus entes e amigos e os prejuízos dos que ficaram sem ter onde morar, trabalhar ou conviver. O metrô é a grande solução para o transporte de massa, tardiamente adotada no Brasil, e indispensável a uma metrópole do porte de São Paulo. O sistema existe nas grandes cidades do mundo desde o início do século passado; a capital argentina, Buenos Aires, o possui desde 1913. A obra tem de continuar, mas seus futuros usuários devem ser tranqüilizados quanto à possibilidade de, um dia, uma estação ou túnel vir a cair sobre suas cabeças. Uma das coisas que fazem um empreendimento cumprir suas finalidades e até dar lucro, é a confiabilidade. Nas suas linhas anteriores, o metrô paulistano demonstrou boa qualidade construtiva e operacional e, por isso, é respeitado pela população. Até o nível de vandalismo, tão comum nos dias de hoje, é baixo. Toda essa reputação, construída em mais de três décadas, não pode ser jogada na lata do lixo! Sede da Escola Politécnica, do IPT e de tantos outros centros cultores do saber e da tecnologia avançada, São Paulo não pode conviver com as gritantes falhas denunciadas no processo construtivo da Linha Amarela. As autoridades responsáveis pelo empreendimento têm o dever de apurar rigorosamente todas as inconformidades, e exigir dos responsáveis o ressarcimento dos prejuízos causados aos cofres públicos e a particulares, sem prejuízo das possíveis sanções penais. Deve-se estabelecer uma grande corrente de responsabilidades. O primeiro ponto a verificar é quanto à adequação do projeto, seguida da inspeção do cumprimento daquilo que foi projetado, o tipo de material usado, os prazos e uma grande gama de variáveis. As empresas contratadas para executar as obras têm de cumprir o que lhes é entregue como projeto, e a empresa pública contratante tem por dever fiscalizar a execução em conformidade com o projetado e contratado. Mais ainda: em se tratando de empresa pública, cabe ao Estado, seu dono, exigir a justa fiscalização e prestação de contas de todo o processo. Só assim se justifica a inversão das grandes somas de recursos e se oferece à população a segurança de que a obra é sólida. Basta seguir os escaninhos do processo de construção para se identificar quem é o culpado do infortúnio da Linha Amarela. O simples demitir de diretores não responde às grandes indagações. E, sem as respostas adequadas, tudo pode parecer com o velho clichê de varrer a sujeira para baixo do tapete ou, pior ainda, com a política de calar o povo com pão-e-circo, mesmo que, ultimamente, haja muito mais circo que pão... TENENTE DIRCEU CARDOSO GONÇALVES é presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (APOMI)

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