Vale Ponto Chic


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Antônio Alves, um francano, comanda a rede que inventou o bauru: o Ponto chic, em São Paulo
Antônio Alves, um francano, comanda a rede que inventou o bauru: o Ponto chic, em São Paulo
Um dos bares mais famosos de São Paulo está nas mãos de um francano há 29 anos. O comerciante Antônio Alves Souza, 77, era funcionário do Ponto Chic, no Largo do Paissandu, Centro de São Paulo, quando comprou o bar do proprietário e fundador, Odílio Ceccini, no fim da década de 70. Hoje, ao lado do único filho, José Carlos Alves de Souza, 58, comanda na capital três unidades e 200 funcionários da empresa que completará 85 anos no dia 22 de março. Aos 15 anos, Antônio Souza se mudou para São Paulo com quatro amigos de Franca à procura de emprego. Foi contratado pelo Ponto Chic. Depois de trabalhar como ajudante, garçom e gerente, teve oportunidade de comprar o estabelecimento. “O Odílio (ex-dono) teve problemas com a renovação do contrato com os proprietários do prédio no Paissandu e, como já tinha ficado muitos anos lá, decidiu vender. Comprei e acabei conseguindo renovar a locação do imóvel. Estamos lá até hoje e bem.” Após a compra do lugar onde foi inventado o conhecido sanduíche Bauru, o francano abriu mais duas filiais: uma em Perdizes (bairro onde a família morava) e outro no Paraíso. “Com os anos, o acesso ao Centro foi ficando complicado; os fregueses não tinham onde estacionar e passaram a evitar o Centro, além do bar ficar pequeno para atendê-los. Conseguimos pontos em outros bairros bons e abrimos as portas”, disse. Durante anos, ele e a mulher, Edna Carloni Alves, 76, que também é de Franca, trabalharam juntos. Mas em 2001, depois de problemas de saúde dela, o casal decidiu retornar para Franca. Desde então vivem na Fazenda Vale do Ponto Chic, de 60 alqueires, na Rodovia Ronan Rocha. Atualmente, o filho, que é formado em Engenharia Elétrica, fica na capital para administrar os negócios. Antônio viaja de 15 em 15 dias para visitar seus bares em São Paulo. “Temos muita saudade de lá, mas, Franca é melhor para nós. Estamos bem aqui. Sempre que estou lá, relembro o passado. É algo que está no meu sangue. Quando entro no Ponto Chic, crio alma; gosto de preparar lanches e bater papo com os fregueses.” O nome consolidado, a fama do lanche e pontos estratégicos onde atendem fazem da empresa um ponto conhecido. Para o dono, alguns princípios asseguram o sucesso dos negócios. “É um conjunto de fatores. Para mim, o segredo é sorte, trabalhar bem, com dedicação e sempre corresponder à expectativa dos que vêm à casa. Nossa luta é para não decepcionar os clientes.” As três unidades do grupo continuam a oferecer o tradicional Bauru, porções, bebidas e outros pratos no cardápio. O francano se sente realizado nos negócios e emocionalmente. “Não tive somente ganhos financeiros, mas no lado social. Fiz muitas amizades. Eu e minha mulher nos tornamos muito conhecidos. Por onde passamos no Brasil, tem alguém que nos conhece, por causa do Ponto Chic. Até numa viagem pela Europa, fomos reconhecidos”. Para Antônio, o Ponto Chic não tem preço. A vontade dele é a de que a família prossiga com a empresa. Ele já imagina o bisneto, de 3 anos, assumindo os negócios. “Falo para meu filho e meus dois netos que eles já têm tudo: o nome formado, prédio próprio... Basta administrar bem para manter o patrimônio da família. Essa é minha vontade.”

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