A cada quatro horas, a região de Franca - englobando dez cidades - registra algum tipo de acidente de trabalho. Em 2005 foram contabilizados 2239 acidentes, sendo 1337 somente em Franca. Em comparação ao ano anterior, foi registrada uma queda de 0,9%. Por outro lado, em relação a 2003, o crescimento foi de 17%. Os dados foram divulgados recentemente pelo Ministério da Previdência, que ainda não tem os números de 2006.
Segundo o Sindicato dos Sapateiros de Franca, a maior parte dos casos contabilizados na cidade é relativa a trabalhadores de fábricas de calçados, bancas de pesponto e prestadores de serviço no ramo calçadista. “Em 2005, aproximadamente 500 pessoas passaram pelo Sindicato dos Sapateiros depois de terem sofrido acidentes no trabalho”, afirmou o coordenador da Secretaria de Saúde, José Leonel de Souza. E o número pode ser ainda maior. “Há muitos casos em que o empregado resolve essa questão na própria empresa e nem nos procura. Com isso, não contabilizamos esses índices”, afirmou.
Apesar do Ministério da Previdência ainda não ter divulgado os dados do ano de 2006, Souza acredita numa queda de cerca de 2% no número de acidentes. “Fizemos uma intensa campanha no ano passado e, ao que parece, surtiu efeito”, disse Leonel Souza, que ainda não tem os números exatos do ano passado.
Na região, a maior alta registrada foi em Jeriquara, com um crescimento de 600% em se comparando 2005 com 2004. Já a maior queda foi verificada em Rifaina, onde o número de acidentes caiu em 75% no mesmo período.
Em Batatais, a pesquisa revela uma queda de 8,5 % entre os dois anos. O auditor fiscal do Ministério do Trabalho da cidade, Roberto Martins de Figueiredo, disse que o órgão não recebe as informações sobre quais os acidentes de trabalho mais comuns. “Normalmente somos informados sobre acidentes apenas quando, porventura, algum funcionário se acidenta e o patrão se nega a atendê-lo”, disse. “Muitos trabalhadores se afastam do trabalho e voltam e nós não ficamos nem sabendo”, completou o auditor.
MODALIDADES
Os postos do Ministério da Previdência Social de Franca e Ribeirão Preto não divulgam quais os acidentes de trabalho mais comuns registrados na região. Nas fábricas de sapatos e prestadores de serviços do setor os acidentes mais comuns são cortes e amputação de membros, principalmente dedos. Ainda engrossam a lista fraturas, traumatismos do punho e da mão e ferimentos em geral.
O trabalhador que se ferir no trabalho deve procurar o posto do Ministério da Previdência Social para dar entrada no afastamento e pedir o auxílio-acidente. É feita uma perícia médica onde ocorre uma avaliação para saber se o trabalhar realmente está impossibilitado de trabalhar. Há casos em que o trabalhador fica afastado por 15 dias, um mês e até afastamento permanente ou morte. Esse é o caso de dois operários de um curtume de Patrocínio Paulista, que morreram asfixiados em setembro de 2005 quando limpavam um tanque.
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