“Odeio que me chamem de cédula”, diz a auxiliar de escritório Édula Silveira Ferreira, 23, que tolerou por anos o trocadilho de colegas com seu nome. “Na escola, no trabalho, era sempre a mesma piadinha. Enchia o saco”. Ao contrário do que se possa pensar, nomes diferentes, ou exóticos, são muito comuns em todo o mundo. Na Inglaterra, por exemplo, o ex-policial Tim Annan, 35, fã do seriado 24 Horas, mudou seu nome para Jack Bauer, personagem principal da série. Até o consagrado ator norte-americano Nicolas Cage entrou na onda da “inovação” e registrou seu filho caçula como Jal-el, nome “de batismo” do Super-Homem.
Franca não é exceção e a maioria das pessoas conhece alguém que tenha nome diferenciado. E, invariavelmente, tira sarro delas. É o caso do gráfico Maycon Dias Damasceno, 24. Apesar de muito amigo de Levingstone Cláudio Marques, 23, o rapaz não perde a chance de tirar uma “casca” com seu nome. “Ele odeia quando falo para ele que isso não é nome, mas marca de pneu. Fica muito irritado. Mas o nome dele é sem noção demais”, diverte-se. “No fim, ele acaba rindo também”.
Mas nem sempre as pessoas reagem bem às brincadeiras ou a olhares curiosos quando revelam seus nomes. Alguns se irritam e outros ficam envergonhados. “Sempre que vou a consultórios médicos ou de dentistas, peço para a secretária me chamar discretamente. Uma vez, uma delas me chamou bem alto. Todo mundo ficou olhando. Fingi que não era comigo, dei um tempinho e fui embora”, disse o estudante Claslon Matheus Silva, 19. “Até meu irmão (Cléber) tira sarro em mim. Só não mudo de nome em respeito aos meus pais, que escolheram e gostam do meu nome”, brincou.
DE BOA
Por outro lado, há quem conviva com a situação sem dificuldade. É o caso da estudante Rikitchelly Anaíra Faustino, de 20 anos. Ela disse que se acostumou e que “até gosta” de seu nome. “Antes eu achava complicado, porque tinha de soletrar para as pessoas não escreverem errado. Mas acho legal ter um nome diferente”, disse.
Sua mãe, a dona de casa Regina Maria Faustino, disse que já houve contratempos e que chegou a se arrepender da escolha. “Ela custou para aprender a escrever o próprio nome, porque é muito diferente. Mas agora, isso passou e estamos todos acostumados”, disse Regina, que explicou como foi a “criação” do nome. “O pai dela foi juntando partes do nossos nomes até que chegou a Rikitchelly”. A filha caçula de Regina, de sete anos, se chama Linahary.
A cientista social Nahema Nascimento Oliveira, 29, vai além e disse que ama o seu nome. “Só tive dificuldades quando era criança e eu falava e ninguém entendia, ou dava um sorrisinho.
Depois de grande, descobri que é um nome de origem árabe, que significa afável e passei a gostar muito dele”, disse. “Não só eu, em geral, as pessoas acham bonito, delicado”.
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