Jovem pede ajuda para vencer a droga


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‘Já roubei dentro de casa para comprar drogas’
‘Já roubei dentro de casa para comprar drogas’
23 anos, boa aparência, casado e pai de uma filha. Tudo isso não foi suficiente para deixar Diogo (nome fictício) livre do envolvimento com as drogas mas, desesperado e consciente de que os narcóticos podem acabar com sua vida, ele faz um apelo: tirem-me desse mundo. Devendo para traficantes, sem condições de trabalhar e com uma filha para cuidar Diogo, que é servente de pedreiro e mora na Vila São Sebastião, tomou uma decisão: sem forças para lutar sozinho e sem recursos para tratamento médico, pediu ajuda para ser internado em uma chácara de recuperação de drogados. O drama foi contado ontem no programa Hora do Cacete, apresentado pelo radialista Marcelo Valim na rádio Difusora. Usuário de drogas desde os 16 anos Diogo, assim como muitos viciados, começou fumando maconha. Hoje com 23 anos, está completamente dependente do crack. “Os amigos me ofereceram pela primeira vez a maconha. Não sabia nem fumar direito. Comecei a usar por curiosidade e logo viciei”. Passar da erva para a predra foi questão de tempo. Aos 20 anos ele experimentou pela primeira vez o crack. Em uma única noite, fumou mais de dez porções ao lado de outro viciado, hoje preso por tráfico de drogas. “Um rapaz que dizia ser meu amigo me ofereceu o crack. Nesse dia, passei a noite inteira fumando, fumei umas 15 porções. Um dia eu quis sair do vício, mas era tarde. Não consigo ficar sem ele”, disse, com lágrimas nos olhos. Vivendo há dois anos com uma dona de casa de 19 anos e a filha, o servente mora na casa da mãe. Ele mesmo se considera uma pessoa trabalhadora, mas sem domínio do vício. “Às vezes, quando recebo, tento passar longe da boca (ponto de tráfico), mas é algo mais forte. Se tiver R$ 200 compro tudo em crack. Esse fim de semana mesmo passei dois dias fumando, gastei R$ 60 e comprei seis pedras. Já roubei dentro de casa para comprar drogas”, confessa. O jovem diz dever a traficantes, mas não cita nomes nem o valor do débito. “No domingo, ele me parou para cobrar a divida. Disse que não tinha o dinheiro e ele falou que vai pegar minha televisão”. Além disso, Diogo diz se submeter a situações degradantes com freqüência, como dormir nas ruas e no chão de casas em construção. “Esse é o mundo do viciado. Já prejudiquei muita gente. Minha mãe, meu pai e agora minha filhinha. Deixei de comprar leite para usar droga”. REDENÇÃO Cansado da situação, Diogo procurou uma solução para seu problema. Sem falar com familiares, ele foi até a rádio contar sua história. No fim do relato, apareceu a luz no fim do túnel. O servente de pedreiro conseguiu internação em uma entidade de recuperação de drogados mantida pela igreja evangélica Assembléia de Deus (ver texto nesta página). “Estávamos acompanhado a história e resolvemos oferecer uma vaga”, disse o pastor Ronaldo Taveira. O radialista Marcelo Valim torce pelo rapaz. “Já ajudei dezenas de viciados e eles sempre pisam na bola. Espero que este agarre a chance que está tendo, pois é única. A igreja vai nos ajudar e espero que ele faça sua parte”.

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