Prefeito cobra eletivas da Santa Casa


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O prefeito Sidnei Rocha espera o cumprimento do acordo fechado entre Prefeitura e Santa Casa. “O dinheiro está no caixa. É só fazer as cirurgias que pagamos”
O prefeito Sidnei Rocha espera o cumprimento do acordo fechado entre Prefeitura e Santa Casa. “O dinheiro está no caixa. É só fazer as cirurgias que pagamos”
O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) acusa a Santa Casa de não cumprir integralmente um acordo fechado no fim do ano passado para a realização de cirurgias eletivas (que não são urgentes). Segundo a administração, o hospital teria de fazer mais de 1,1 mil operações até o fim de março, contudo, entre dezembro e janeiro, fez somente 306. O tucano diz que o problema, nesse caso, não tem nada a ver com falta de recursos. “O dinheiro está no caixa. É só fazer as cirurgias que pagamos”, disse Rocha (PSDB). O hospital rebateu, com a alegação de que não busca números, mas um atendimento de qualidade. “Estamos lidando com pessoas e não com sapatos, que você aumenta a produção de 300 para 800 pares de um dia para o outro. Antes de números, temos de oferecer qualidade nos procedimentos”, disse o diretor-clínico Marcelo de Paula Lima. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, está indignado com a situação. Segundo ele, chegaram aos cofres da Prefeitura, desde dezembro, R$ 1,2 milhão para a realização de eletivas, sendo R$ 1 milhão proveniente da devolução de recursos da Câmara Municipal e R$ 220 mil do governo estadual. “Pela primeira vez temos dinheiro para reduzir substancialmente a fila. Com essa verba daria para diminuirmos em pelo menos 70% a fila de espera da cidade (3,5 mil pessoas)”, disse. De acordo com Ferreira, até agora, foram feitas 306 cirurgias de várias especialidades, contra as 1,1 mil acordadas e consumidos R$ 170 mil. “Ainda temos mais de R$ 1 milhão em caixa para pagar cirurgias eletivas. Se a Santa Casa não tomar uma decisão até amanhã (hoje), vou comprar em outros hospitais”, disse. “Já pedi explicações para o hospital, mas ainda não me responderam”. Segundo o secretário, já houve contatos com os hospitais particulares de Franca (Unimed e Regional) e a Santa Casa de Patrocínio Paulista no sentido de eles assumirem os procedimentos, caso não haja um acerto com a instituição francana. “O que não pode acontecer é perdermos a verba. Se não utilizarmos o dinheiro que o Estado está mandando até abril vamos ter de devolver, o que seria lamentável”, disse Ferreira. SEM CHANCES Segundo Marcelo de Paula Lima, a Santa Casa enfrentou problemas que a impediram de cumprir a meta de cirurgias eletivas. “Em dezembro, boa parte do corpo clínico entrou de férias. Em janeiro e fevereiro, tivemos problemas com a falta de água. O Centro Cirúrgico ficou uma semana parado. Somente agora que estamos retornando ao ritmo normal”, disse. Apesar da constatação, o diretor-clínico disse que não deverá haver um aumento significativo em relação às 306 cirurgias feitas entre dezembro e janeiro - o número de intervenções realizadas em fevereiro ainda não foi fechado. “Haverá um incremento, mas temos de deixar claro que cirurgia não é como resfriado, que é só medicar e pronto. São procedimentos complexos, onde até morre gente. Não é assim”, disse. Sobre a ameaça de Ferreira, de procurar outros hospitais para assumir os procedimentos, Lima disse que a Santa Casa não está preocupada com isso. “Estamos fazendo um favor, ajudando eles. Cirurgia eletiva dá prejuízo. Mas não quero polemizar. Isso cabe à Prefeitura decidir”, disse.

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