Valores


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Rui Barbosa mostra-se-nos um profeta. Acho que nunca testemunhamos tanta falta de valores em nosso país como se vê hoje em dia. E quando uma sociedade não valoriza a Ética e a Moral... Com o tempo, as pessoas não valorizam a família, a honestidade, a religião. O prazer fácil, as ligações superficiais tornam-se a moda praticada por quase todos. E ouse ser diferente! Se o Rui temia o dia que ser honesto seria vergonhoso, creio que o vivemos hoje. Não dessa forma direta, mas de uma forma indireta. Hoje, nossa sociedade é regida pelos valores associados à fama e à fortuna. Não qualquer fama, mas pode ser qualquer fortuna. Não importa se a fortuna adveio da usura, trafico de drogas, golpes na previdência, exploração dos necessitados, da miséria de milhões. Fortuna sem se importar com a procedência. Essa é a sociedade que temos hoje cuja religião oficial é a plutolatria, adoração ao dinheiro. Como nos alerta frei Betto, os templos espirituais substituídos pelos shopping centers, os novos templos do consumo. A maciça maioria dos nossos jovens e adultos são fascinados pelo poder vindo do dinheiro. Uma sociedade que valoriza a riqueza adquirida não necessariamente pelo trabalho está condenada. Trabalhar é difícil, já especular, traficar, enganar, iludir são maneiras fáceis de se adquirir fortunas. E como já ensinou Marx e, antes dele, o apóstolo Tiago (capítulo 5, `Eis que o salário, que defraudastes aos trabalhadores que ceifavam os vossos campos, clama, e seus gritos de ceifadores chegaram aos ouvidos do Senhor`), as riquezas vêm da mais-valia dos trabalhadores. Quando éramos crianças, aprendemos com os três porquinhos que o melhor, o que é bom (casa de tijolos) dá trabalho, é demorado, requer habilidade. Mas é o que detém o lobo mau. Aprendemos, também com o patinho feio que se procurarmos o nosso lugar, a nossa vocação, transformar-nos-emos em belos cisnes. Com Pedrinho (e o lobo) aprendemos que não se deve mentir (`cry wolf`), do contrário, quando dissermos a verdade ninguém nos acreditará. Na Igreja, aprendemos os Dez Mandamentos que nos dão (auto) confiança em um Ser Supremo infalível e a conviver socialmente. Será que pais e professores não abandonaram a Igreja e deixaram de contar essas fábulas formadoras de caráter aos filhos e alunos? Será que não deixam demais as crianças expostas à televisão? E não ensinam as propagandas a chantagearem os pais para comprar isto ou aquilo? E quantos pais não acreditam que dando o que não tiveram na infância estão fazendo algo maravilhoso pelos seus filhos? Muitos pais sobrecarregam-se de trabalho, esgotando-se, quando, na verdade, o que as crianças necessitam não são muitos brinquedos e roupas, mas do tempo disponível, da atenção e do carinho. A maioria dos jovens sofre de apatia à família, ao estudo, ao trabalho, à Igreja. E o culpado, sem dúvida alguma, é todo aquele que colaborou para a má educação de nossas crianças. Mas é possível reverter esse processo. Diz-se que as palavras comovem e os exemplos arrastam. As crianças fazem o que você faz e ignoram o que você diz. Portanto, melhore seus exemplos e pare de contar papo. De nada adianta você dizer que é bom, honesto, trabalhador, esforçado, que superou tantas dificuldades. Se os olhos deles não virem isso, gabar-se pode ser irritante. Arrogância é um defeito imperdoável. Assim como uma falsa visão de si próprio. A verdade é que a juventude não tem exemplos vivos para se espelharem e isso é que é grave. Enquanto cada um de nós esperarmos pelo outro para fazer aquilo que podemos. Antes de mandar seus filhos o respeitarem, dê exemplos respeitando quem está a sua volta. Ao invés de mandá-los à Igreja, vá você, depois os convide. Demonstre amor à família, não cobre. Ser bom de papo é fácil, não? Ser bom de fato... Mas nada é melhor do que colher os bons frutos de uma boa semeadura. MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é pesquisador tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano.

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