Drácula histórico


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Nem a ginasta Nadia Comaneci, que com 14 anos encantou o mundo nas Olimpíadas de 1976, conseguiu mudar a imagem que o mundo tem da Romênia, em especial da região da Transilvânia. Ao ouvir o nome, Transilvânia, não há quem não pense em dentes, estacas, morcegos, caixões e no conde chupador de sangue. Drácula, senhor dos vanpiros, foi imortalizado pelo escritor irlandês Bram Stoker em meados do século XIX, retratado como sombrio e perverso, sedutor, que aprisiona, mata e suga o sangue de quem cruza seu caminho. Mas o personagem histórico Drácula, que inspirou o romance, não era assim... Era muito pior. Vlad III foi voivode (uma espécie de príncipe-guerreiro; o título aristocrático de conde não existia em sua região) da Valáquia... “Valaoquê?” Tudo bem, o mapa do leste Europeu (até hoje) muda a todo momento e o principado encravado entre a Hungria e o Império Otomano não existe mais há séculos. Vlad III era filho de Vlad II, conhecido como Dracul, o Dragão (em romeno), pois era membro da Ordem do Dragão, um pacto entre alguns soberanos cristão-ortodoxos e católicos-romanos pelo combate aos “infiéis” muçulmanos, por isso ficou conhecido como Draculea (daí Drácula), Filho do Dragão. Dracul também pode significar Demônio, e por sua crueldade ele teria ficado conhecido como Filho do Demônio. Vlad III nasceu na Transilvânia (região que na época pertencia à Hungria), em 1431, quando seu pai estava exilado por ter sido destronado. Na juventude, quando papai dragão retornara ao trono da Valáquia, Drácula foi aprisionado pelos turcos. Na prisão, seu passatempo era torturar (queimando, esfolando e empalando) pássaros e ratos. Quando o sádico rapaz foi libertado e pôde voltar à Valáquia, descobriu que seu pai havia sido enterrado vivo e seu irmão mais velho, assassinado por inimigos que tomaram o poder. Em outra reviravolta política, Vladinho se tornou voivoda da Valáquia. Ele conseguiu manter durante anos a autonomia de sua pátria e impediu o avanço otomano sobre a Europa. Aqueles que conseguiram derrubar até a capital do império romano do oriente, Constantinopla, tremeram diante da fúria e pragmatismo de Drácula, tido como herói na atual Romênia. O medo que o voivoda despertava pela imagem de verdadeiras florestas de inimigos empalados (empalou até 20 mil pessoas de uma só vez) fez os turcos hesitarem em avançar. Mas após o sultão Mehmet reunir um grande exército e criar coragem, avançou sobre o principado de Vlad, o Empalador. Com o castelo cercado, a esposa do Príncipe Dragão suicidou pulando da torre da fortaleza, mas o voivode escapou. Na Hungria, casou-se com a irmã do rei, ganhou tempo e reuniu tropas para reiniciar sua cruzada, mas em 1476 foi morto em batalha. Sua cabeça foi exposta em praça pública, fincada numa estaca. Na década de 1930, uma escavação revelou algo arrepiante: sua tumba estava vazia. Stoker, quando resolveu escrever o romance, nem havia ouvido falar do empalador. Segundo ele, teria vindo de um pesadelo a inspiração para a história do vampiro (que na idéia original seria austríaco e não romeno) que vai a Londres, sendo confrontado pelo jovem Jonathan Harker, que quer salvar sua bela Mina Murray, e pelo caçador de vampiros holandês Dr. Van Helsing. Com certeza ele estava impulsionado pelos contos góticos e poesias sobre vampiros escritos por Lord Byron, James Rymer, Baudelaire e Percy B. Shelley. Ele resolveu pesquisar as lendas eslavas sobre vampiros e acabou se esbarrando com a história de Drácula e concluiu que o sujeito era a encarnação pura do terror e, por isso, decidiu usar o personagem histórico para compor o fictício. Assim, até o nome do vilão mudou; a princípio, Stoker pensava em chamá-lo Conde Wampyr.

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