Drácula é um dos personagens populares do cinema. As centenas de produções, porém, valorizaram o personagem em outras tramas, a ousadia de adaptar o romance de Bram Stoker só ocorreu nos anos 90, por obra do diretor Francis Ford Coppola.
O historiador Eduardo Tomaz Ferreira Silva, no entanto, contou a nossa reportagem que Drácula só não ganhou as telas antes por capricho da viúva de Stoker, que antes de morrer detinha os direitos autorais sobre a obra do marido. “A viúva exigiu dinheiro demais do diretor expressionista alemão F. W. Murnau, que fez pequenas mudanças nos nomes dos personagens e mudanças mínimas na história e em 1922 lançou Nosferatu, que ainda hoje é o vampiro mais famoso da história do cinema”. Jonathan Harker, do livro, passou a se chamar Hutter; Conde Drácula virou conde Orlock, o Nosferatu; o vampiro vai a Bremen e não a Londres. “Para caber na trama, Murnau teve que simplificar bastante a trama, acabaram ficando de fora personagens interessantes como o próprio Van Helsing, o caçador de vampiros”, explica Tomaz.
Orlock tem, contudo, diferenças marcantes em relação a Drácula. O personagem interpretado em 1922 pelo ator Max Schreck não tem nada de sedutor, ao contrário, é o próprio medo encarnado, é animalesco. Nosferatu é até hoje o vampiro mais assustador da história. Além de ser o próprio Orlock uma ameaça, toda a atmosfera que o envolve é transformada em um grande pesadelo:
Ele chega a Bremen em um navio cheio de ratos, que espalham a peste e o desespero na cidade. “Schreck foi tão convincente em sua interpretação, que começou-se a falar na Alemanha que ele era um vampiro de verdade interpretando um vampiro”, conta Tomás. Essas lendas sobre Schreck só fizeram contribuir para o sucesso do filme, afinal todos queriam ver um vampiro de verdade... mas bem de longe.
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