"Nunca senti tanto medo na vida"


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Ainda sobre a declaração de funcionária de supermercado assaltado dia destes (“Nunca senti tanto medo na vida”, publicada em 15 de janeiro pelo Comércio) quero dizer que sempre fui contra a pena de morte mas tenho mudado de opinião nestes últimos tempos. As lições da infância ensinavam que ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém. Os tempos eram outros pois hoje a vida alheia não importa, pelo menos para esses marginais que invadem diariamente nossas vidas. Tornou-se fácil portar e sacar uma arma, matar um pai de família, enforcar uma senhora idosa, arrastar e matar um garoto que tinha toda uma vida pela frente, tornou-se fácil acabar com sonhos... Será que deixamos de acreditar no que é bom? Deixamos de lado nossos valores, para dar mais atenção às questões materiais? Você furta um carro e ele funde o motor, a vida não; você enforca uma velhinha por dinheiro, o dinheiro acaba e ela não volta, você assalta e põe em risco a vida de dezenas de pessoas, as constrange, o produto do assalto acaba, mas o medo que você infunde e a marca da violência não... O que fazer? Deixar as coisas acontecerem? Continuar como se nada esteja acontecendo até que chegue nossa vez de morrer, de sofrer, de perder alguém? Não. Chega de tanta ignorância. Continuaremos coniventes se aceitarmos e não agirmos. Onde estão nossos “comandantes”, os governadores desse nosso País, aqueles que andam por aí em carros blindados e com seguranças armados? Quando vamos nos organizar e começar a tentar? Letícia Mantovani é leitora do Comércio da Franca

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