Metade da equipe de psiquiatras da Santa Casa será investigada por negligência. O motivo é a falta de atendimento ao aposentado Sebastião Figueiredo Silva, 42, que, entre terça e quarta-feira, teve de aguardar 27 horas para ser internado no hospital.
Mesmo em intensa crise nervosa e com o encaminhamento do Pronto-Socorro “Dr. Janjão”, o paciente permaneceu sedado na sala de observação do PS. A conduta será avaliada pelas comissões técnica e de ética da Santa Casa e o caso deve chegar ao CRM (Conselho Regional de Medicina).
Segundo o diretor-clínico da instituição, Marcelo de Paula Lima, quatro dos oito médicos da psiquiatria, que responderam pelo plantão da especialidade no período em que Sebastião aguardava o atendimento, serão ouvidos na sindicância. “Vamos ouvir os quatro e entender as razões pelas quais não mandaram o paciente para o Allan Kardec. Se for notada qualquer imperícia, que para mim houve, suspenderei quem for preciso e encaminharei a situação ao conselho de ética do CRM”, disse, sem revelar os nomes dos profissionais.
Para Lima, os médicos têm autonomia para analisar os casos, mas deveriam, diante do quadro de crise de Sebastião - que chegou a agredir o próprio pai - tê-lo, no mínimo, examinado. “Pela situação do paciente, o caso era de urgência. Se o profissional se nega a atender um caso desse, complica muito as coisas”, disse.
Lima disse estar indignado, ainda, com a alegação que teria sido dada aos médicos do “Janjão”, de que não haveria vagas para internar Sebastião. Segundo ele, o procedimento não seria necessário. “O cara chegou em crise e precisa de internação? Basta examiná-lo, medicá-lo e fazer o encaminhamento para o Allan Kardec. Mas não fizemos nada disso. Erramos”, disse.
MUDANÇAS
“Estamos trabalhando errado”. Dessa forma, o diretor-clínico definiu os serviços de psiquiatria da Santa Casa. Segundo ele, as internações não seguem um padrão preestabelecido pela instituição e isso tem atrapalhado todo o sistema. “A determinação é a de estabilizar o paciente em crise. Após dois ou três dias, ou dá alta ou encaminha para o Allan Kardec, que tem estrutura para internações mais longas”, disse.
Lima reconheceu que tem culpa, enquanto diretor-clínico, pelas falhas e que faltou um acompanhamento mais ostensivo de sua parte. “Faço a mea-culpa sim. A verdade tem que ser dita: errei também. Mas vamos procurar reverter: na segunda-feira vou me reunir com a equipe para discutir não só esse caso (de Sebastião), mas para rever todo o sistema”, disse.
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