Uma bíblia, um barco, fé e disposição para enfrentar o calor (mais de 35 graus), insetos e saudade dos familiares. Assim tem sido há seis anos a vida do casal Marcos Donizete Fernandes e Fátima Silva Fernandes, ambos com 51 anos. Seguidores da Comunidade Evangélica Sol da Justiça, mudaram-se para Maués (AM), para pregar a palavra de Deus em comunidades ribeirinhas e tribos indígenas.
Marcos é de Franca e Fátima, de Nova Lima (MG). Conheceram-se em Curitiba (PA) em 1999 durante um curso religioso. Foi nessa ocasião que Marcos diz ter recebido o chamado de Deus para a missão no Amazonas. “Ele falou comigo para eu ir para lá, que teria um trabalho para cumprir e Ele me sustentaria”.
Os dois abraçaram a missão. Depois de namorar alguns meses, casaram-se e se mudaram para Maués. “A lua-de-mel foi aqui”, disse ele, em entrevista por telefone. Eles deixaram emprego e familiares para pregar a palavra de Deus a mais de 3,8 mil quilômetros de Franca. “Eu era promotor de vendas de TV a cabo; minha mulher trabalhava num escritório; saímos do emprego.
Deixei duas filhas do primeiro casamento em Franca.”
Em Maués, compraram uma casa com dois dormitórios, sala e cozinha por R$ 2 mil. “Foi um presente de Deus. Ele providenciou uma casa barata.”
Desde outubro de 2000, o casal se reveza entre trabalhos na cidade e com as comunidades e índios que vivem às margens do Rio Apoquipaua. Para chegar às palafitas (casas suspensas nas margens do rio), os missionários utilizam barcos que Marcos pilota. No local, ensinam cerca de 240 pessoas, entre mulheres, homens e crianças.
Marcos e Fátima evangelizam todos os dias, mas não falam apenas de religião. Como os habitantes são carentes, ensinam noções de higiene e saúde. “Tentamos mostrar como ter uma vida pessoal melhor, com preparo correto de alimentos e água que utilizam do rio.” Duas vezes por semana, o casal apresenta o programa de rádio Falando de Vida, uma outra forma de evangelizar.
No início da missão, Marcos se sustentava com doações, agora a igreja assumiu o trabalho e repassa R$ 500. “É apertado, mas outros irmãos ajudam”, disse ela.
Eles não sabem até quando ficarão em Maués. “Deus ainda não pediu para voltarmos. Continuamos ensinando, falando do amor Dele e suprindo essas comunidades com um pouco mais de conhecimento”, disse o missionário.
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