Hoje à noite, às 19h30, na Capela do Colégio Champagnat, será lançado o livro Falando Francamente, de Arnaldo Nogueira, jornalista muito importante para a TV brasileira. Nascido e criado em Franca, saiu daqui para trabalhar em São Paulo, Londres e depois Rio de Janeiro e Brasília.
No seu livro, ele dedica vários capítulos a Franca, cidade que, segundo sua filha, Ângela Nogueira, ele nunca esqueceu. Tanto que um de seus desejos era ser enterrado em Franca. E a família cumpriu essa vontade. Em agosto de 2006, Arnaldo Nogueira foi sepultado no Cemitério da Saudade.
Em Franca, Arnaldo ingressou na carreira de jornalista como locutor na Rádio Clube Hertz. No livro ele conta que nos intervalos que tinha entre um trabalho e outro ia à Praça Nossa Senhora da Conceição conversar com os amigos. Também fala com exatidão dos discos que faziam parte do acervo da rádio e das notícias que narrou em seus programas.
Em 1946, o jornalista foi trabalhar na BBC de Londres, onde ficou até 1949. Quando voltou, participou da inauguração da TV Tupi. Na emissora, comandou os programas Falando Francamente e Senhora Opinião. No primeiro, o próprio título embutia a proposta da franqueza nos diálogos com os entrevistados, como também a referência carinhosa à sua cidade natal. Era um programa de entrevistas pelo qual passaram nomes como Dom Hélder Câmara, Alexander Fleming (criador da penicilina), Albert Sabin, Candido Portinari, César Lattes, Gilberto Freire e o ex-presidente Juscelino Kubitschek (que se convidou para ser entrevistado). Senhora Opinião foi um programa inovador porque abriu espaço para que as mulheres expressassem suas opiniões, coisa rara de acontecer naquela época.
A vida política também fisgou o jornalista. Foi vereador no Rio de Janeiro e deputado em uma das épocas mais tensas do Congresso Nacional. Participou da votação pela cassação do deputado Márcio Moreira Alves, em 1968. Moreira Alves havia feito um discurso violento contra as forças armadas em plena época de ditadura militar. Arnaldo era contra a cassação e chegou a receber um telefonema do então chefe da nação, o presidente Costa e Silva, pedindo que ele votasse pela cassação. Arnaldo não atendeu ao pedido do presidente e votou contra.
Para o amigo do jornalista, Garcia Neto, Arnaldo Nogueira foi uma figura que deu destaque a Franca no ambiente de rádio. “Pena que Franca reconhece menos do que devia figuras que saem daqui e se destacam”, disse.
Arnaldo Nogueira morreu aos 85 anos, dois dias depois de ver pronto o “boneco” do livro com o qual tanto sonhou. “Ele começou a escrever o livro em 2000. Como ficou com a saúde bem deteriorada, eu o convenci a parar em um determinado período para depois continuar. Dois dias antes de falecer, já respirando por aparelhos, ele segurou o boneco do livro na mão e ficou muito feliz”, conta a filha Ângela. Para concluir o projeto, Arnaldo contou com a ajuda da filha e de outras pessoas. Assim como fez o também jornalista Samuel Wainer com o livro Minha Razão de Viver, Arnaldo narrou suas histórias, que depois foram transcritas para o livro.
ACERVO
Uma boa notícia para Franca é que o acervo do jornalista será doado para a cidade. Provavelmente ficará abrigado no Museu Histórico “José Chiachiri”. Segundo Ângela, esse também era um desejo de seu pai. “Ele sempre disse isso e a gente vai fazer o que ele queria”. Ela adianta que virão para a cidade fitas com imagens dos programas que ele fez, material audiovisual do início da tevê e até sua coleção de jornais, que ele tinha o hábito de guardar, incluindo muitos exemplares do Comércio da Franca. “Meu pai nunca esqueceu as origens. A gente só não sabe quando esse material vai para a cidade porque queremos digitalizar as fitas”, diz.
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