Cansados dos prejuízos causados pelas constantes interrupções no fornecimento de energia na área do Distrito Industrial, dez proprietários de fábricas e curtumes decidiram entrar na Justiça contra a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) para pedir indenização. O valor da ação ainda está sendo calculado.
Eles alegam que toda semana acontecem "apagões” sem que haja um aviso prévio por parte da concessionária. São interrupções que duram em média de 15 a 20 minutos, mas que trazem inúmeros prejuízos. "Tem o desperdício de materiais, que com a parada das máquinas são danificados; as horas extras dos operários e os transtornos com os clientes que não aceitam produtos com defeitos e reclamam do atraso nas encomendas", disse Mario Spaniol, dono da Carmen Steffens e do Curtume Couroquímica e um dos que devem ingressar na Justiça.
Mario Spaniol ainda disse que, além dos "apagões", é comum que a carga da energia enviada pela CPFL fique abaixo da contratada pelas empresas. "O correto é uma corrente de 220 ou 210V mas, na verdade, a energia que nos é fornecida tem sido de 180V. Isso faz com as nossas máquinas queimem com freqüência".
O mais recente apagão aconteceu na quinta-feira, das 13h47 às 14h04 e trouxe novas perdas. "Queimou mais uma máquina nossa.Tivemos que parar a produção e substituir os equipamentos", disse o coordenador da Couroquímica, Aguinaldo Pereira da Silva, 36.
Wainer Machado, proprietário do Curtume Tropical, também sofre. "Toda vez que há queda de energia, perdemos os couros, que acabam manchando ou queimando. Para voltarmos a funcionar, leva-se mais de uma hora, tempo em que os funcionários permanecem parados. É um grande prejuízo", disse ele que não sabe se vai aderir à ação.
Para ele, se houvesse um aviso das quedas, muitos problemas seriam evitados. "Se soubéssemos com antecedência, nós poderíamos desligar as máquinas, evitando estragos, dispensar os funcionários e protegermos os couros que não ficariam manchados ou queimados".
O presidente da Amcoa (Associação dos Manufaturados de Couros e Afins), César Figueiredo Melo Barros, coordena a propositura da ação contra a CPFL. "Semana que vem nós entraremos com o pedido de reparação de danos. Ainda não temos os números, mas já sabemos que os prejuízos são incalculáveis", disse por meio de sua secretária.
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