Os fazendeiros que moram às margens da estrada velha, que liga Franca a Batatais, estão “ilhados”. A pista, que passa ao lado do Jardim Aeroporto, está intransitável há dois meses por conta das chuvas. Além dos buracos e da lama, que pipocam por toda a estrada, em alguns trechos o motorista tem dificuldades de passar em razão do barro que secou e se transformou em obstáculo no meio da estrada.
Única via de acesso sem pedágio entre Franca e Batatais, a estrada velha é de responsabilidade do DER (Departamento de Estradas e Rodagens), órgão vinculado ao governo do Estado. O engenheiro-responsável em Franca, Alfredo Lázaro, disse que a situação chegou a esse ponto devido às últimas chuvas, que impediram os trabalhos de manutenção, mas afirmou que, com o estio, as obras de recuperação devem começar na próxima segunda-feira.
“Já está programado. Na próxima semana, as máquinas vão trabalhar na estrada”, garantiu. Não há previsão, porém, de termino para o trabalho. “Isso vai depender da situação da estrada e do tempo. Se chover, atrasa”, disse.
O pior trecho é o km 376, onde a chuva formou uma lagoa e a terra virou um grande lamaçal mesmo em dias de sol. Naquele ponto, não é possível passar nem mesmo de bicicleta ou caminhão.
Anilson Bezerra, 36, que trabalha como administrador da Fazenda Santa Maria, teve que trocar o meio de transporte. “Moro em Franca e todos os dias passo pela estrada. Vinha de carro, agora não dá mais. Agora uso uma moto, mas, mesmo assim, quando chega nesse trecho, tenho que descer e empurrar”, disse. Bezerra diz que, ainda assim, já caiu duas vezes dentro do lamaçal. “Isso é um absurdo. Estamos enfrentando essa situação há meses”, afirma.
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Outro trajeto que pode ser usado pelo administrador seria a Rodovia Cândido Portinari. “Se eu fizer isso, a viagem aumenta em 30 quilômetros e fica muito mais cara”.
Também usuário da estrada, o casal Eurípedes Balsanulfo da Silva, 44, e Ângela da Silva, 38, não trafega no local de carro há dois meses. Quando precisam visitar os parentes no Jardim Aeroporto, em Franca, vão a pé. “De carro eu gastava 30 minutos, agora tenho que caminhar 2h30. Não tem lógica uma coisa dessa. Está todo mundo revoltado”.
E não só os carros de passeio são afetados. Caminhonetes, caminhões e até tratores não conseguem passar. “Vários caminhões ficaram atolados. Até trator fica preso aqui”, disse outro sitiante, José Correia.
Além disso, o transporte escolar também não chega até as casas, obrigando as crianças a andarem até o ônibus. Em alguns casos, são necessários 30 minutos para vencer os cerca de 1,5 quilômetro sem condições de tráfego.
Até o cantor sertanejo Rionegro, que tem uma propriedade naquela região, está revoltado. “Aquela estrada é muito importante e está abandonada. Não podemos ficar só assistindo”, disse, à rádio Difusora.
Colaborou Mônica Carvalho
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