Ditadura, de novo?


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É incrível que ainda existam policiais atuando nas ruas como se estivéssemos na década de 70. Esses agressores, capazes de se manifestarem contra repórteres fotográficos no exercício do trabalho, imagine o que fazem contra o cidadão comum. Aqui na minha região já presenciei e fui vítima de tais agressões. Acredito que nós, profissionais de imagens, somos odiados por muitos e amado por poucos. O fato é que, numa situação dessas, estando em local público, podemos fotografar qualquer coisa. Quem se sentir ofendido, que processe depois. Lógico que não trabalhamos para prejudicar ninguém e sim, para registrar fatos, trabalhando com ética. Alguns dias atrás li sobre a polêmica que se produziu sobre as fotos do Tiago Brandão, do Comércio (flagrantes da mãe que se atirou em poço para salvar o filho), na Internet, com vários fóruns questionando ou defendendo a postura do fotógrafo. Quero deixar claro que eu faria o mesmo. Aliás, fiz o mesmo quando explodiu o Osasco Plaza Shopping. Naquela hora, eu almoçava lá com minha esposa, justamente no restaurante que foi o foco de tudo. Parabéns aos profissionais desta casa, pois fiquei sabendo da atuação de toda a redação frente ao ocorrido na praça, na ocasião em que o fotógrafo Divaldo Moreira foi ameaçado pelo policial militar. Um bom jornal se faz com integração e é com esse espírito de equipe que devemos tentar reduzir a repressão policial que assombra as ruas de comunidades em todo o Brasil. Eduardo Venâncio é repórter fotográfico da Folha de Alphaville (SP)

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