A partir de abril, a decisão de quem será ou não internado na Santa Casa de Franca deve passar para as mãos do DRS (Departamento Regional de Saúde, antiga DIR-13 ). Ligado ao governo estadual, o departamento determinará quantos dos 306 leitos do hospital serão destinados aos usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) e até mesmo em qual deles o paciente será internado. A transferência de comando (hoje quem determina os atendimentos é a direção da Santa Casa) terá um preço: R$ 842 mil. O dinheiro será repassado pelo governo estadual ao hospital para custear o rombo nas contas mensais da Santa Casa provocado pela defasagem da tabela de pagamentos do SUS.
O anúncio da possível troca do controle das internações no hospital foi feito ontem durante a visita dos diretores da instituição à redação do Comércio da Franca. Recebidos pelo diretor-responsável do jornal, Corrêa Neves Jr, pela chefe de Reportagem, Priscilla Sales, e pelo gerente de Relações Institucionais, Luiz Neto, os diretores disseram que a troca faz parte do acordo de co-gestão que o hospital deve assinar com a Secretaria Estadual de Saúde até abril. “Eles assumirão nosso déficit. Em troca, daremos a eles o controle dos leitos que forem negociados”, disse Marcelo de Paula, diretor-clínico da Santa Casa e presente ao encontro ontem.
Pelo acordo, o Estado assume a gerência das vagas e o hospital administra o atendimento. “Eles (os servidores estaduais do DRS) determinarão quem dará entrada na Santa Casa. Nós decidiremos qual o médico atenderá o caso e quais procedimentos serão feitos. Será uma co-gestão, com áreas de atuação bem definidas”, disse Fernando Bueno, superintendente da Santa Casa. A conta do atendimento será paga pelo SUS com a ajuda do Estado.
Para Marcelo de Paula, essa nova forma de gestão deverá melhorar a vida dos 640 mil usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) em Franca e região. “Atualmente, um paciente atendido no ‘Dr. Janjão’ que necessite de internação tem de aguardar a comunicação, via fax, pelo PS e a autorização da Santa Casa, o que pode demorar horas. Com esse novo sistema, isso deve acabar”.
Com a transferência de controle, os técnicos do DRS terão autonomia para autorizar na hora a internação. “Vai agilizar sim, porque o leito será do Estado. Ele comprou e pagou e terá poder de decidir. Esse problema será dele”, disse Marcelo de Paula Lima.
A Secretaria Estadual de Saúde não detalhou o projeto, mas confirmou as mudanças anunciadas por Lima. “Não será intervenção, mas uma regulação de serviços. Vamos auxiliar financeiramente mas, em troca, queremos ter o controle do que está sendo feito. Será uma parceria que esperamos implantar até o mês de abril”, disse, por nota, a assessoria de imprensa.
Para que o acordo entre Santa Casa e o Estado seja oficializado, faltaria, somente, a autorização do prefeito Sidnei Rocha, já que Franca detém a gestão plena dos serviços de saúde na região. Procurado ontem pela reportagem, o tucano não se manifestou.
Na quarta-feira, porém, disse que se continuasse recebendo diretamente as verbas do SUS (segundo ele, R$ 30 milhões anuais), sem intervenção do Estado, não se oporia às mudanças. “Se mexerem nesses repasses, terei problemas orçamentários. Caso a mudança fique apenas no âmbito operacional, deverá dar tudo certo”.
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