Aposentado espera 27 horas por internação


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"Foram 27 horas de muito sofrimento. Até fome passamos". Dessa forma, o vendedor Benedito Silva Figueiredo, 53, morador em São José da Bela Vista, definiu o período que permaneceu no Pronto-Socorro "Dr. Janjão" à espera de uma vaga na Santa Casa para internar seu irmão, o aposentado Sebastião Figueiredo Silva, 42, que sofria uma forte crise psiquiátrica. Hospital especializado nesse tipo de caso, o Allan Kardec não poderia receber Sebastião sem um primeiro atendimento da Santa Casa, que, por sua vez, alegava não ter leitos vagos. Agressivo, Sebastião não tinha condições de retornar para casa. "Fiquei com medo de que pudesse até mesmo matar meu pai. Fiquei sem escolha", disse o irmão. O problema começou na madrugada da terça-feira de Carnaval, quando Sebastião sofreu uma crise nervosa e chegou a agredir o pai, que tem 84 anos e, por não ter uma das pernas, fica em uma cadeira de rodas durante o dia todo. Assustado, Benedito levou o irmão ao Posto de Saúde de São José, onde o médico o encaminhou para o "Janjão". Começava ali o calvário dos irmãos, que tiveram de esperar das 7 horas daquele dia até as 10h30 de ontem para obter vaga na Santa Casa. Nesse período, Benedito disse que ele e o irmão passaram até mesmo fome. "Eu não fui preparado para ficar tanto tempo. Não tinha muito dinheiro. Então, comprei dois salgados para cada um e foi com isso que passamos as horas", disse. Outro fato que revoltou o vendedor foi que, apesar das dificuldades encontradas para atender Sebastião, os profissionais do "Janjão" se limitaram a solicitar a vaga à Santa Casa. Em momento algum teriam feito contato com o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, para relatar a gravidade da situação. "Ele foi mantido sob efeito de remédios, sedado quase todo o tempo. Falaram que era para eu levar ele para casa, mas de que jeito eu ia fazer isso? Ele estava muito agressivo. Aí, falaram que não tinha outro jeito, que era para sentar e esperar a vaga". O sofrimento só acabou ontem, às 10h30, quando, enfim, surgiu a vaga na Santa Casa. Sebastião foi levado para o hospital e permanece internado, em observação médica, sem previsão de alta. Exausto, Benedito voltou para casa. "Já pensou se todo mundo agora tiver de passar por isso? É triste", disse. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira, foi procurado em pelo menos cinco horários diferentes, via telefone, em seu gabinete e no celular, para analisar se o procedimento adotado pelos profissionais do pronto-socorro foi o correto mas, segundo a secretária Eliana, "estava muito ocupado e retornaria depois", o que não aconteceu até as 20 horas de ontem.

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