Carnaval para todos


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O Carnaval é uma festa popular. Dizem que nessa época vale tudo. E realmente parece que a afirmativa é verdadeira. Há quem goste de dançar ao som do axé, pagode, samba, marchinha e até música eletrônica. Hoje, o Carnaval é muito mais diversificado do que há 30 anos. O importante mesmo é que haja espaço para todo mundo, sem preconceitos. Se em Franca muitas pessoas reclamavam que não havia esse espaço, este ano o cenário mudou um pouco. Carnaval de salão, escolas de samba na avenida e...um bloco de Maracatu pelas ruas do Centro e de alguns bairros da cidade. Foi algo ainda meio tímido. Não pelos participantes, mas sim pelo público, que não sabia direito o que estava acontecendo. O que eram aquelas pessoas vestidas de branco, tocando tambor no meio da rua, entoando cantos desconhecidos? Não há problema algum em não saber. Afinal, essa é uma tradição típica de Pernambuco e bem desconhecida por aqui. Mas não é porque não é genuinamente francana que não é legítimo que seja apresentada pelas ruas da cidade. Afinal, é, acima de tudo, uma manifestação típica brasileira, que faz parte do folclore e da cultura popular do País. O grupo de mais de 20 pessoas, montado e organizado pelo Centro Cultural Cangoma, saiu em cortejo por ruas da cidade durante três dias. No último, terça-feira de Carnaval, fez uma homenagem ao poeta e professor Carlos Assunção, o homem que introduziu a consciência negra em Franca. Na porta de sua casa, no Jardim Ângela Rosa, o batuque ensurdecedor o fez derramar algumas lágrimas. Mas, mais do que isso, o fez feliz. Carlos Assunção cantou, dançou e ainda recitou poemas. Mostrou aos jovens daquele grupo porque valeu a pena os ensaios, a dor no braço, o cansaço de três dias de cortejo. Desse Carnaval, para os que viram e, principalmente, os que participaram do Maracatu francano, ficaram duas lições. Uma, do professor Carlos, que mais uma vez mostrou que uma causa deve ser abraçada com afinco para que seja reconhecida. Outra, do casal Priscila De Col e Pedro Fonseca, criadores do Centro Cultural Cangoma e desse movimento. Eles mostraram que de nada adianta ficar reclamando que não há nada para fazer na cidade. O importante é arregaçar as mangas e trabalhar. MAÍSA INFANTE é jornalista e editora-assistente do Caderno Artes

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