Cansados de tanto esperar por uma posição do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), os integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) voltaram a ocupar a Fazenda Santa Cruz, no município de Cristais Paulista, na madrugada de domingo. Os sem-terra passaram os últimos três meses acampados às margens da estrada que fica em frente à propriedade na esperança de que a área fosse comprada.
Os integrantes do MLST ocuparam a fazenda em setembro do ano passado, após passar oito meses acampados em uma propriedade vizinha, e só saíram em dezembro depois que a fazenda entrou em negociação de venda. “Estamos debaixo de barraco de lona há um ano, esperando por uma definição do Incra. Estamos cansados de esperar”, disse um dos militantes, Benedito Silva.
A revolta dos sem-terra aumentou na sexta-feira depois que os proprietários da fazenda mandaram soltar o gado nas roças plantadas pelos sem-terra durante a ocupação da fazenda. “Perdemos milho, feijão e arroz. A plantação era para alimentar as famílias e agora estamos sem comida e sem água. Não recebemos cesta básica há três meses”, disse outro acampado, Maurício Veronez.
Os sem-terra reclamam que, só de feijão, perderam mais de 160 sacas. “O milho estava no ponto de ser colhido”, disse Silva. Com a nova ocupação, não há previsão de como ficará a situação. “A informação que temos é que o Incra ofereceu um valor inferior ao proposto pela família. Não temos mais previsão do que vai acontecer. Mas não pretendemos desistir. Não vamos sair daqui”, disse Benedito Silva. O Incra e a família dona da área não falam sobre a negociação.
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