Indústria calçadista demite duas mil pessoas


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A Samello, uma das maiores empresas da cidade, parou sua produção em outubro e foi responsável pela demissão de quase 600 trabalhadores
A Samello, uma das maiores empresas da cidade, parou sua produção em outubro e foi responsável pela demissão de quase 600 trabalhadores
Dois mil postos de trabalho fechados, pior índice registrado nos últimos sete anos. Esse é o balanço do setor calçadista de Franca em 2006, segundo levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, ligado ao Ministério do Trabalho), que abrange as contratações e demissões no mercado formal. O encerramento das atividades e o corte na produção de algumas das maiores fábricas da cidade foram os principais responsáveis pelo péssimo resultado do setor industrial quando o assunto é emprego. Para se ter idéia, em um único mês, o Ministério do Trabalho chegou a registrar mais de 7,3 mil demissões. Isso ocorreu em dezembro, quando as baixas (que já vinham acontecendo desde julho) da Samello e o começo dos desligamentos da Sândalo foram oficializados. Com isso, o saldo de empregos industrial da cidade, que até então era positivo, despencou. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca, Jorge Félix Donadelli, a queda histórica no número de empregos está relacionada diretamente à redução do volume de negócios fechados pelos calçadistas francanos. “No ano passado, deixaram de ser produzidos na cidade mais de 3,2 milhões de pares de sapatos, o que equivale à produção de mais ou menos 30 fábricas com 100 empregados cada. Não havia como não demitir”. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, disse que, para ele, o número de vagas fechadas não é sinônimo de desemprego. “Muitos desses trabalhadores deixaram apenas o emprego formal, mas estão trabalhando sem registro em bancas de pesponto ou fabriquetas. Isso não aparece no levantamento do Caged”. OUTROS SETORES Apesar do saldo negativo na indústria, outros setores como comércio e serviços, contribuíram para que Franca não fechasse o ano no vermelho. O saldo de emprego nessas áreas foi positivo. O comércio, por exemplo, comemora a abertura de 1,3 mil postos de trabalho. O setor de serviços somou 728 novas vagas. Só a construção civil é que caminha no mesmo passo que as indústrias calçadistas. O setor fechou 242 vagas em 2006.

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