O estudante Marcelo Ferraro Júnior, 11, almoçou ontem, pegou sua mochila e seguiu em direção à casa de um colega da mesma idade. Juntos, os dois meninos saíram caminhando com destino à Escola Sueli Contini Marques, no Jardim Tropical. Quando passavam por uma praça, avistaram três homens discutindo. Não deram importância. De repente, um estampido e um cheiro forte de pólvora queimada. Marcelo sentiu um ardor na perna direita e caiu no chão. Havia sido atingido por uma bala perdida.
A ocorrência típica de grandes cidades, como o Rio de Janeiro, aconteceu às 12h45, no Parque Vicente Leporace, zona norte de Franca. Algumas crianças brincavam de bicicleta na praça do bairro. Os dois amigos seguiam para a escola já pensando na folga do Carnaval. “Eu vi os caras lá, mas não notei nenhuma arma. Segui em frente, quando escutei um barulhão. Na mesma hora, fui jogado no chão e senti minha perna queimando. Doeu muito. Nem imaginava que fosse um tiro”.
O amigo de Marcelo providenciou um pedaço de pano e amarrou na perna atingida para estancar o sangue. Os familiares foram avisados e acionaram o socorro. O estudante foi medicado no pronto-socorro e liberado logo depois. O projétil atravessou a perna direita dele de raspão. Por sorte, nenhum osso ou veias foram atingidos.
Na hora, o estudante ficou muito assustado e chegou a pensar no pior. “Eu falava: vou morrer, vou morrer. Daí, rezei a oração do Pai-Nosso por três vezes. Acabei dando sorte. Nunca imaginei que seria atingido por um tiro. Parece ataque do PCC. Parece que estamos numa guerra”.
Com a perna enfaixada e andando com dificuldade, o garoto disse que está com medo e que não quer ir sozinho para a escola. Ele passou a tarde deitado em casa e recebeu a visita de amigos e familiares. “Até a diretora da escola veio me ver”, contou, orgulhoso.
Após o disparo, os três homens que discutiam na praça desapareceram. Um suspeito foi detido pela PM e liberado por falta de provas. “Acredito que os autores estavam com a arma de fogo para praticar algum outro crime. A intenção não era atingir a criança. Quem disparou foi, no mínimo, imprudente e assumiu o risco de produzir qualquer resultado. Se identificado, responderá por tentativa de homicídio”, disse o delegado Hélder Rodrigues.
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