As origens do Carnaval, que começou ontem na maior parte do País, não são muito bem definidas. Pesquisadores atribuem a história da festa às mais antigas celebrações da humanidade, principalmente associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais. O que se sabe de fato é que hoje o Carnaval se caracteriza por muito divertimento e liberdade. Com máscara ou sem, as pessoas saem de casa para viver momentos de descontração. Mas se atualmente o que mais diverte os “carnavalescos” são os trios-elétricos, o axé e as escolas de samba luxuosas, já houve uma época que não era assim.
Para a poetisa Ádria Tristão Costa Comparini, 52, que não perdia os famosos bailes de Carnaval da AEC, o que simbolizava a festa daquela época era a ingenuidade. “Era tudo muito sadio, a gente fazia a fantasia, montava um bloco com as amigas e ia para o salão”, lembra ela, que uma vez saiu com algumas amigas, todas vestidas de macaquinho preto. “Naquela época também não havia muito consumo de bebida. Os moços bebiam pouco e as moças nem bebiam. Eu lembro que a gente dançava o tempo inteiro e depois tomava uma ‘sodinha’”, completa. Ádria também lembra que na maioria das vezes as mães iam junto com as filhas para o baile. “A minha mãe ficava sentada com um guarda-chuva na mão.
Aí ela empurrava os moços que estavam na frente dela para poder ver onde a gente estava”, diz.
A artista plástica Atalie Rodrigues Alves conta que, na década de 30, muitas famílias tradicionais de Franca organizavam os festejos dentro de casa, sobretudo para que as crianças pudessem se divertir. “Havia até ensaios e a formação de blocos. Era como acontecia em qualquer clube, só que em casa”.
De acordo com o historiador Júlio Bentivoglio, a história do Carnaval em Franca não se diferencia muito da história do Carnaval no restante do País. Começou com os entrudos, que eram as brincadeiras nas quais as pessoas saíam às ruas atirando água perfumada nos amigos. “A influência dos grandes carnavais, dos mascarados e dos desfiles, provavelmente, veio das notícias chegadas do Rio ou, em menor grau, de São Paulo. Acredito que somente a chegada do rádio, com a transmissão da Rádio Nacional, dos seus cantores e artistas, tenha massificado as marchinhas e os carnavais de salão”, explica.
E esses carnavais de salão é que eram as “vedetes” do momento. Em Franca ficaram muito marcados os bailes que aconteciam no salão da AEC, no centro da cidade. O músico Láercio Piovesan, o Laércio de Franca, tocou durante 15 anos nesses bailes. Ele se lembra que muita gente das cidades da região vinha para participar das festas de Franca. Hoje, acontece o contrário. As pessoas saem de Franca em direção às cidades das redondezas.
Para Laércio, o que mais marcou os bailes daquela época foram as músicas. “Eu gostava das letras de sátira política das marchinhas”, diz. Ele lembra que havia músicos de Franca que compunham suas próprias marchinhas, que também eram tocadas nos bailes. “O pessoal do Grupão fazia muita música. Às vezes faziam na hora mesmo e a gente já tocava”, relembra. Para ele, o que fez com que esse tipo de Carnaval de salão perdesse força foi o fim das marchinhas. Com a chegada do axé e dos ritmos baianos, as marchinhas, que fizeram sucesso entre os anos 1920 e 1960, perderam a força.
RELEMBRANDO OS CARNAVAIS
Enquanto os amantes do Carnaval moderno se divertem com axé, quem quiser relembrar os tempos de antigamente terá pelo menos três oportunidades. Hoje, a partir das 11 horas, e segunda-feira, a partir das 16 horas, Laércio e sua banda tocarão as marchinhas de Carnaval na Concha Acústica da Praça Nossa Senhora da Conceição.
Hoje à noite, o Centro Cultural Cangoma vai promover um baile à fantasia com marchinhas e samba de raiz. A festa começa às 21 horas e o ingresso custa R$ 5. O uso de fantasia é obrigatório. O Centro Cultural fica na Rua Presidente Kennedy, 1477, Vila Flores. Mais informações pelo telefone (16) 3721-5460.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.