Sândalo atrasa pagamento das rescisões, mas libera o FGTS


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Funcionários da Sândalo ouvem do presidente do sindicato, Paulo Afonso, as explicações do acordo proposto pela empresa: pagamento só em março
Funcionários da Sândalo ouvem do presidente do sindicato, Paulo Afonso, as explicações do acordo proposto pela empresa: pagamento só em março
Os mais de 260 funcionários demitidos da Calçados Sândalo terão que esperar até o dia 7 de março para receber o pagamento referente às rescisões de contrato. O prazo para a quitação venceu na quinta-feira, 15, mas a empresa alegou não ter recursos. O valor total, segundo o Sindicato dos Sapateiros, chega à casa dos R$ 227 mil (sem contar as multas do Fundo de Garantia). A empresa alegou problemas com créditos de exportações e propôs um acordo aos empregados: fazer o pagamento no dia 7 de março. "A diretoria da Sândalo chegou a apresentar documentos que comprovam que eles têm dinheiro a receber", disse Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros. Restou aos trabalhadores dar entrada nas folhas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e do seguro-desemprego. "Como é uma questão coletiva, reunimos todos os funcionários e explicamos a situação. A maioria deles tem mais de um ano de registro e um bom relacionamento com os donos da Sândalo. Por isso, não houve resistência em concordar com a proposta", disse Paulo. Funcionário da Sândalo há dois anos, Regner Siqueira, 20, espera que a empresa cumpra o acordo. "Eles disseram que houve imprevisto. Acredito que não agiram de má-fé. Vamos dar o prazo e torcer para que tudo dê certo". Apesar do conformismo de Regner, alguns colegas pensam diferente. "É uma situação muito ruim você esperar para receber e, quando chega para acertar, descobre que a empresa não tem o dinheiro", disse M.S, 21, ex-funcionário que pediu para não ser identificado. Como se não bastasse o acordo que adia o pagamento das rescisões, há quinze meses a Sândalo não deposita as parcelas do FGTS. O assunto, no entanto, será discutido só em março. "Depois de acertadas as rescisões, o sindicato verá com a empresa como fica essa questão", disse Paulo Afonso. Para os funcionários, resta esperar. "Não temos outra alternativa. Temos que aceitar receber o dinheiro já depositado do Fundo e dar entrada nas folhas do seguro-desemprego. Com os outros funcionários que já saíram antes, a empresa foi correta. Espero que com a gente aconteça a mesma coisa", disse uma funcionária que preferiu não ser identificada. Procurado pelo Comércio, o proprietário da Sândalo, Carlos Brigagão, não quis falar sobre assunto. "Estou em Campinas participando de reunião. Não vou poder falar sobre isso", disse.

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