O secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, confirmou, ontem, que vai intervir na direção da Santa Casa de Franca. Em entrevista exclusiva ao Comércio, disse que o objetivo é administrar, a partir de março, todos os serviços do hospital e sanar o déficit mensal, hoje de R$ 842 mil, com recursos estaduais. A intervenção não acabaria com a gestão plena do município sobre as outras unidades regionais de Saúde, como o Pronto-Socorro “Dr Janjão” e o NGA (Núcleo de Gestão Assistencial).
O secretário enviará funcionários estaduais a Franca para ajudar na administração do hospital. Para colocar a medida em prática, um contrato entre a Prefeitura, o governo estadual e a Fundação ainda precisa ser assinado. As negociações já começaram ontem. O superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno, esteve em São Paulo e já concordou com a idéia. Apenas o prefeito Sidnei Rocha (PSDB), consultado na tarde de ontem, disse que não sabe de nada. Mas prometeu estudar qualquer proposta do Estado.
Antes de intervir, o secretário de Saúde quer realizar uma auditoria nas contas da Santa Casa nos próximos dias. Um mapeamento de todas as receitas e despesas do hospital deve ser feito em breve. Depois de conhecida a contabilidade, será a hora de decidir sobre possíveis reduções de custos. “Uma das coisas que a direção terá de fazer é diminuir um percentual das despesas”, disse Barradas.
O secretário garante que nenhum atendimento feito atualmente no hospital será transferido para outra unidade ou cortado, nem mesmo o serviço de urgência. “A realidade regional é que não há outro local onde os atendimentos possam ser feitos. E o Estado não está pensando em mudar a realidade”, disse. Por isso, Barradas acredita que, mesmo depois da avaliação e da redução de despesas, as contas ainda continuarão no vermelho. “Mesmo assim ficará um buraco. Aí, sim, o governo estadual cobrirá isso com seus recursos”, disse.
Como de praxe, a importância da colaboração das prefeituras da região atendida pelo hospital, inclusive a de Franca, não foi esquecida. “Os municípios terão de continuar colaborando. Se houver o fim do auxílio, o dinheiro do Estado não será suficiente”. Barradas afirmou que o fato de muitas prefeituras atendidas não colaborarem é injusto. “Cada um vai ajudar na medida de suas possibilidade e do uso que faz do equipamento regional. Se usa, por mais que seja pequeno ou distante, o município tem que colaborar com um pouquinho”.
PIONEIRA
Juntamente com a Fundação Pio XII, que administra o Hospital de Câncer de Barretos, a Fundação Santa Casa de Misericórdia será uma das duas primeiras a participar do que Barradas chama de “projeto de auxílio para todas as Santas Casas com atendimento regional do Estado”. O modelo deve ser estendido a todas as Santas Casas com perfil parecido.
O secretário diz que as conversações para acertar a assinatura de um contrato de gestão entre o Estado, a Santa Casa e a Prefeitura de Franca devem se intensificar nas próximas semanas. “Já estamos pedindo informações e conversando com a direção do hospital e com a prefeitura. As novidades começarão a surgir na primeira quinzena de março. Até o final do mês de março, a gente deve fechar esse acordo e assinar o contrato”, disse.
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