O superintendente da Santa Casa, Fernando Bueno, não vê problemas na interferência do Estado na gestão do hospital. Bueno disse que a proposta apresentada a ele, ontem, pelo secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, será um modo de achar um caminho para o equilíbrio financeiro da Santa Casa.
O superintendente disse que, como prestador de serviço ao SUS (Sistema Único de Saúde) “não importa à Santa Casa, quem vai gerir o contrato com o hospital”. “Nós somos prestadores de serviço. Para nós fazer pelo Estado ou pelo município não importa. O que importa é que o prejuízo causado pelo SUS seja coberto. (...) Se não arrumar alguém para financiar isso, vai parar”.
As possíveis exigências do Estado, como o compromisso com metas de qualidade, número de atendimentos e até a abertura de contas do hospital não assustam Bueno. “O Estado propõe um modelo de gestão em que nós já somos exemplo. Estamos adiantados num projeto de gestão de qualidade. O Estado não teria interesse em ajudar uma Santa Casa que não fosse qualificada”, disse, sem evitar um tom de autopromoção.
Apesar de satisfeito com o que ouviu, Fernando Bueno evita falar em regionalização do hospital. “Será uma ação para o equilíbrio das Santas Casas que estão hoje em situação calamitosa. Ainda não é a regionalização. Pode até vir no futuro a ser, mas no momento é mesmo um programa de auxílio financeiro”, disse.
HISTÓRICO
Em 2001, depois de uma série de denúncias envolvendo irregularidades no atendimento público de Saúde, a Prefeitura de Franca decidiu assumir a direção da Santa Casa. A intervenção municipal foi avalizada pela Justiça, que afastou os diretores civis da instituição.
Depois de dois anos e dez meses de intervenção, pouco foi feito por aqueles que assumiram a instituição. O período ficou marcado muito mais por escândalos de corrupção à frente do hospital do que por avanços. Em janeiro de 2004, Onofre Trajano assumiu o cargo de interventor da Santa Casa. Em 2005, quando já havia sido decretado o fim da intervenção, foi eleito provedor do hospital em uma assembléia de associados.
Trajano, que deixou o cargo de provedor na última terça-feira, disse, ontem, que a intervenção do Estado pode representar a tábua de salvação do hospital. “Não via outro meio de resolver o déficit. Fico feliz de saber que o Estado resolveu assumir essa responsabilidade”.
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