Folia com camisinha


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É Carnaval: época de folia, alegria, descontração. Serão quatro dias e noites de muita sensualidade, liberdade e samba no pé. Nesta festa vale quase tudo— a exceção, por exemplo, é correr riscos desnecessários. É preciso ter acesso à informação, saber dialogar com o parceiro e adotar práticas de sexo seguro, que incluem o absolutamente essencial uso do preservativo, que previne, além da aids, todas as outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 340 milhões de casos de DSTs ocorrem por ano no mundo. No Brasil, as estimativas referentes à ocorrência de DSTs entre a população sexualmente ativa são preocupantes: 4,3 milhões de casos de Tricomoníase, 1,9 milhão de Clamídia, 1,5 milhão de Gonorréia, 937 mil de Sífilis, 685 mil de HPV e 640 mil de Herpes genital. Grande parte das DSTs é tratável e curável, desde que as doenças sejam diagnosticadas precocemente. Entretanto, algumas delas podem provocar seqüelas graves. As hepatites, que também têm transmissão por contato sexual, por exemplo, levam ao surgimento de cirrose. Alguns tipos de HPV podem provocar desenvolvimento de câncer de colo de útero e a sífilis materna pode levar à má formação e até ao óbito do feto. A aids tem tratamento, mas não tem vacina ou cura. O HIV (vírus que causa a aids) não escolhe sexo, raça ou credo. Hoje em dia todos são vulneráveis ao HIV. Atualmente a transmissão sexual é predominante entre as categorias de exposição ao sexo sem camisinha, mas a infecção pode ocorrer também por compartilhamento de seringa ou agulha, utilização de instrumentos cortantes e perfurantes não esterilizados, transfusão de sangue contaminado ou ainda de mãe para filho, durante gestação, parto e amamentação, caso ela seja portadora da doença. É sempre bom ressaltar que o HIV não é transmissível durante masturbação a dois, beijo no rosto ou na boca, aperto de mão ou abraço, compartilhamento de talheres, copos, sabonete, toalhas, assento de ônibus, piscina, banheiros, nem ao se ter contato com suor e lágrima. O Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids) estima em 40 milhões o número de pessoas vivendo com HIV/aids no mundo. No Brasil, o número total de casos de aids acumulados entre 1980 e junho de 2006 é de 433 mil. Estima-se que aproximadamente 600 mil pessoas vivam com HIV e aids no Brasil, número que permanece estável desde 2000. No Estado de São Paulo, no período de 1980 até 30 de junho de 2006 foram notificados ao Sistema de Vigilância Epidemiológica 151,9 mil casos de aids, dos quais 70 % em homens. Desde o início da epidemia, o Programa Estadual DST/Aids, criado pelo governo do Estado em 1983, tem a preocupação de realizar ações de prevenção junto à população geral, além das consideradas mais vulneráveis (profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e usuários de drogas injetáveis). A preocupação com a prevenção, associada à assistência, sem dúvida, é responsável pela estabilização da epidemia no Estado e pelo sucesso do programa, que serviu de modelo para o país e para a própria OMS. Embora o tema relacionado à prevenção das DST/Aids fique em maior evidência no Carnaval, na verdade ela deve ser lembrada e incorporada à vida e ao cotidiano da população todos os dias do ano. Neste Carnaval, mais uma vez enfatizamos a importância do uso do preservativo durante os dias de folia. É a melhor maneira de curtir esta grande festa popular, com responsabilidade e consciência, além do respeito a você mesmo e a seu parceiro. Caso ainda haja dúvida há o Disque DST/Aids: 0800-16-25-50. Trata-se de um serviço gratuito oferecido pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por intermédio do Centro de Referência e Treinamento DST/Aids. Ótimo Carnaval! MARIA CLARA GIANNA é médica sanitarista e coordenadora do Programa Estadual DST/Aids, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo

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