Soldado impede trabalho de fotógrafo


| Tempo de leitura: 2 min
Ao perceber que havia sido fotografado, o soldado C. Fernandes, de dedo em riste, fez ameaças e tentou impedir trabalho de profissional do Comércio: comando da PM abriu procedimento para apurar a conduta do policial
Ao perceber que havia sido fotografado, o soldado C. Fernandes, de dedo em riste, fez ameaças e tentou impedir trabalho de profissional do Comércio: comando da PM abriu procedimento para apurar a conduta do policial
Era perto das 11 horas da manhã quando o fotógrafo do Comércio da Franca Divaldo Moreira e o estagiário Gabriel Cicciliani saíram para apurar uma confusão envolvendo camelôs da Praça Dom Pedro (a do Itaú). O que seria uma matéria rotineira acabou se transformando em caso de polícia. Os personagens: os dois profissionais e um policial militar. No centro da questão, a postura arbitrária e agressiva do policial. O soldado Carlos Fernandes havia sido acionado pela Guarda Civil Municipal para acompanhar a apreensão de produtos vendidos sem autorização no centro da cidade. Na Praça do Itaú, o policial observava o trabalho dos fiscais da Prefeitura que discutiam com um vendedor ambulante de goiabas. Como a manhã estava movimentada, alguns populares se aglomeravam para acompanhar o desenrolar do caso. Foi neste momento que a equipe do Comércio da Franca chegou. Como é praxe, o fotógrafo Divaldo Moreira já estava com sua câmera em mãos. Aproximou-se da confusão e, da calçada do outro lado da rua, disparou o flash. Foi o que bastou para despertar a ira do policial. “Fiz duas fotos. Ele gritou comigo e, agindo de maneira ríspida, disse que não havia autorizado as fotos”. Irritado, Fernandes atravessou a rua e exigiu que o fotógrafo apagasse as imagens. “Ele chegou dando ordens para eu apagar tudo. Gritava. Disse que eu não tinha pedido autorização. Com o dedo no meu rosto, esbravejava e dizia que ia registrar uma queixa contra mim na delegacia”. Divaldo, acompanhado do estagiário, ainda teria tentado argumentar com o policial. “Eu tentei explicar para ele que estava fazendo o meu trabalho de registrar os fatos. Disse que a rua era um local público e que tinha o direito de fotografar, mas ele não me ouviu. Continuou sendo agressivo”. Diante da recusa do fotógrafo, plenamente amparada na legislação brasileira, o soldado determinou que Divaldo entrasse em sua viatura para conduzi-lo até a delegacia. “Concordei em ir, mas disse que iria a pé. Ele não permitiu. Determinou que eu fosse na viatura. Senti vergonha na hora porque estava apenas trabalhando. Não sou bandido”. Na sede do 1º Distrito Policial, foram registrados dois Boletins de Ocorrência - um do jornalista e outro do soldado - ambos de preservação de direitos. O soldado Fernandes preferiu não gravar entrevistas. “Não estou autorizado. Meus superiores devem falar sobre a ocorrência”. Em conversa informal, alegou que não cometeu abusos e que o fotógrafo entrou por espontânea vontade na viatura. “Ele não foi detido, só pegou uma carona”. APURAÇÃO O comando da Polícia Militar abriu procedimento para apurar se houve abuso de autoridade. Na tarde de ontem, o ouvidor, sargento Luiz Henrique da Silva, começou a colher o depoimento dos envolvidos. Gabriel Cicciliani e Divaldo Moreira prestaram depoimento na sede do jornal. O prazo para conclusão da apuração é de 60 dias. Caso o exagero seja comprovado, Fernandes pode ser advertido, perder benefícios e, numa hipótese remota, ser preso.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários