Fabrícia Aparecida da Silva, 23, é a segunda filha de 11 irmãos. A jovem viveu uma infância e adolescência conturbadas, chegou a furtar e a ficar presa. Viu o pai ser preso várias vezes. Quando tinha 15 anos, a mãe foi parar atrás das grades por envolvimento com drogas. Dois irmãos, usuários de drogas, estão detidos por cometerem assaltos. Um dos mais novos, o adolescente Dodô, ficou conhecido, em 2005, por furtar, aos 12 anos, uma viatura da polícia, ter queimado um ônibus, fugido do Hospital Allan Kardec e cometido vários furtos. Depois de ver os familiares viverem as armadilhas da bandidagem e do vício em drogas, Fabrícia, que também já se envolveu no mundo do crime, diz que quer mudar de vida e esquecer o passado.
Para isso, Fabrícia resolveu trabalhar vendendo bombons pelas ruas da cidade. Há um mês, faz e comercializa os quitutes como forma de manter a família. A idéia partiu de sua mãe, que hoje está livre da cadeia e tem um depósito de sucatas. “Ela encontrou revistas de culinária no lixo e me deu. Numa delas, vi uma receita de ovo de Páscoa e resolvi fazer para meu filho. Primeiro, não consegui, mas tentei de novo e deu certo. Aí fiz uns bombons e vendi para os vizinhos. Eles aprovaram.”
Hoje, com os bombons de amendoim, licor e crocante que faz, Fabrícia ganha entre R$ 30 e R$ 50 por dia. O dinheiro ajuda a pagar o aluguel de R$ 250 no Leporace, contas de água e luz. No fim de semana, ela usará parte do lucro para fazer um curso de Ovos de Chocolate em uma loja da cidade. “Quero muito me manter longe de confusão. Não é fácil sair por aí vendendo, mas vale a pena”.
Casada há seis anos e mãe de um garoto de 4 anos, Fabrícia diz querer batalhar para conseguir emprego. Ela, que já foi sapateira, não quer mais a instabilidade do setor. “Minha vontade é trabalhar num escritório. Sem um emprego fixo é tudo muito incerto. Hoje você tem, amanhã não se sabe...”, disse a jovem, que interrompeu os estudos na 5ª série. “Quero vencer na vida. Vou conseguir”, diz, emocionada.
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