‘Minha mãe me obrigava a pedir dinheiro na rua’


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Ao relembrar momentos da infância ao lado dos irmãos, Fabrícia Aparecida Silva, 23, disse que sua vontade era esquecer o passado. “Queria apagar tudo. Esquecer mesmo.” Ela se emociona e chora ao contar as vezes em que o Conselho Tutelar precisou retirá-la com os irmãos dos braços da mãe, viciada em crack. Fabrícia diz que as cenas mais fortes em sua mente são de sua mãe drogada, dentro de casa. “Ela ficava alucinada. Começava a gritar ‘a polícia, a polícia’ e via bichos vindo para o lado dela”, disse a filha, que na época estava com mais ou menos seis anos e viveu esses episódios por mais de dez anos. Fabrícia também afirma que era obrigada pela mãe a sair com os irmãos com uma caixinha nas mãos pedindo dinheiro para sustentar o vício dela. “A gente pedia na rua. Às vezes, se não conseguia, roubava porque se chegasse em casa sem dinheiro, minha mãe brigava e batia.” A vendedora disse que a família chegou a ganhar cestas básicas, mas “assim que o doador virava as costas” a mãe vendia os alimentos. “Nem comíamos direito. Lembro que a gente passava a bolacha e guaraná que comprávamos fiado no bar perto de casa.” Passada a tempestade (hoje a mãe deixou a cadeia depois de cumprir pena de três meses, vive com outro marido e é dona de um depósito de sucata), as duas convivem bem. “Não guardo mágoa dela nem sinto raiva. A gente se vê bastante. Ela me visita, eu vou na casa dela. Para mim, ela foi mais uma vítima das drogas.” O pai, que esteve preso várias vezes, também está livre. Fabrícia o encontra poucas vezes, quando decide visitá-lo em sua casa.

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