Serragem, madeira, isopor, algodão. Tudo vira arte nas mãos do marceneiro e estudante de arquitetura José da Cruz Santana, 33. O morador de Batatais corta, gruda, estica, cola e assim constrói pequenas grandes obras arquitetônicas. Ora fazendo as suas próprias criações, ora reproduzindo de forma minúscula edificações já existentes, com sua habilidade Santana monta diferentes ambientes em maquetes - representações realistas em uma escala menor que o real.
Tudo começou como um hobby, há cerca de nove anos. Desta forma o artista define o início da carreira que, hoje, lhe rende um salário fixo, trabalhos eventuais e estudos.
Uma atitude e uma descoberta. Em busca de recursos financeiros, um dia Santana pediu que um amigo comerciante expusesse em seu estabelecimento comercial um de seus trabalhos. "A maquete não chegou a ficar na loja nem uma semana", lembra-se Santana.
Não demorou para que seu trabalho se popularizasse na cidade e as encomendas começassem a chegar. Santana passou então para uma nova etapa: as circunstâncias o levaram a produzir não apenas pequenas casas ou objetos, mas também a miniaturizar fazendas e projetos de construções.
"Recebi um pedido para reproduzir uma loja de calçados. Seria uma surpresa para o proprietário e tive que ir diariamente ao local, por quase 15 dias, sem que desconfiassem da minha presença", disse. Mas, segundo ele, valeu a pena. A cópia foi fiel e a maquete fica exposta na loja até hoje. "É uma das maquetes mais importantes para mim", analisa.
A partir de então, as encomendas não pararam. Mas foi há pouco tempo que Santana disse ter "aprendido a capitalizar" o talento. Foi após ingressar na faculdade de arquitetura – ele cursa o segundo período – que ele afirma ter se conscientizado da importância de seu trabalho. "No começo, até dava maquetes de presente. Hoje sei que elas valem muito", afirmou. "Mesmo quando comecei a vender, vendi peças por R$ 400 que hoje sei que custam, no mínimo, R$ 1,5 mil".
Além do trabalho autônomo, atualmente Santana é funcionário da Fundação José Lazzarini, onde ensina a menores em situação de risco social o trabalho de marcenaria. Ele explica que a construção das miniaturas estimula as habilidades motoras dos alunos. Durante a produção, é possível explorar formas geométricas, proporções, escalas e noções de espaço e localização.
COM A MÃO NA MASSA
Santana explica que os materiais utilizados para fazer uma maquete são muito simples e variados. Serragem se transforma em terra, palitinhos viram postes e pedacinhos de madeira dão forma às moradias.
Para construir qualquer sistema ou ambiente, como a própria casa ou uma cidade, basta aprender a confeccionar diferentes tipos de relevo ou solo, edifícios e personagens, tudo com planejamento, um dos principais segredos para a construção de uma boa maquete. E isso inclui um esboço detalhado. "Normalmente eu tiro foto do lugar. Mas, quando não é possível, eu vou até lá e desenho", explica Santana.
Plásticos, papéis, compensado, massa de biscuit, pigmentos, tinta acrílica, fios de cobre, argila, massa corrida, cola, serragem, anilina e espuma são apenas alguns dos materiais utilizados na construção das miniaturas. Na hora de criar, vale tudo. "Seria difícil passar uma lista completa. Para fazer as copas das árvores, por exemplo, bato espuma no liquidificador. Em cada uma utilizo um método diferente", afirmou.
A maioria das maquetes é conceitual, isto é, representa de maneira lúdica uma casa ou projeto e seus conceitos. Existem, porém, casos especiais como quando representam detalhamentos especiais, como a visualização interna das obras.
Santana mostra preferência pelas maquetes humanizadas, que representam de maneira exata o projeto, demonstrando de forma reduzida e detalhada a realidade pretendida.
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