Novo presidente assume e promete cortes


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A Fundação Santa Casa tem, desde a noite de ontem, um novo presidente: trata-se do representante comercial José Cândido Chimionato, 61, que não teve concorrentes e foi aclamado por unanimidade pelos 48 associados presentes à assembléia. O ex-presidente, Onofre Trajano, agora é o vice. Outros nove dirigentes e conselheiros também foram nomeados. Logo em seu discurso inicial, Chimionato anunciou uma nova forma de gestão na instituição, marcada pela linha dura e focada no saneamento das finanças. Prometeu, ainda, cortar atendimentos ambulatoriais às cidades que não aceitarem repassar recursos adicionais ao hospital. Os primeiros cortes poderão acontecer na sexta-feira. A cerimônia foi aberta com uma prestação de contas do ex-presidente, Onofre Trajano. Ele explicou os motivos que causaram a queda vertiginosa nos resultados financeiros do hospital, que teve superávit de R$ 1,4 milhão em 2005 e um prejuízo de R$ 5,9 milhões no ano passado. “Nos anos anteriores, consegui recursos com os governos estadual e federal. Em 2006, achei que seria ainda melhor, por ser ano político, mas foi ao contrário: com os escândalos em Brasília, fecharam-se as portas”, disse Trajano, que teve as contas aprovadas pela assembléia. Logo a seguir, iniciou-se o processo eletivo. Representante da única chapa que se apresentou para o pleito, Chimionato foi aclamado como novo presidente da Fundação Santa Casa, cujo complexo inclui também os hospitais do Coração e do Câncer. Em sua primeira fala, após tomar posse, foi claro e direto. “Não tenho grandes projetos. Só quero sanear o hospital. E farei isso a qualquer custo, mesmo que tenha de tomar medidas duras”, disse. Entre tais medidas, estaria a manutenção dos cortes nos atendimentos ambulatoriais, determinados por Trajano a cidades que não repassarem verbas extras para a Santa Casa. “Não vou mudar o que o Onofre determinou. Como disse, quero zerar o déficit e não vou medir esforços para que isso se torne viável”. O superintendente Fernando Bueno, mantido no cargo pelo novo presidente, mostrou que permanece com total autonomia no hospital e disse que novos cortes acontecerão já na sexta-feira. “Há um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) no Ministério Público que trata dessa questão, de pagamentos e prestação de serviços. Os prefeitos têm consciência de que, se não assinarem, estarão colocando seus municípios em situação de cortes”, disse. DESPEDIDA Emocionado, Onofre Trajano se despediu ontem do comando da Santa Casa. Entre muitos agradecimentos e elogios a colaboradores, disse que deixa a presidência sem qualquer tipo de arrependimento. “Saio de cabeça erguida. Fiz tudo que poderia ser feito. Só lamento não ter conseguido pagar a dívida e zerar o déficit, mas as melhorias que obtivemos estão aí, para quem quiser ver”, disse. “Mas, como vice-presidente, vou continuar por aqui”, brincou.

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