Quem se espantou com os estragos causados pelas enchentes dos últimos meses, que se prepare: todas as vezes que chover forte em Franca, vários pontos da cidade se transformarão em um verdadeiro “piscinão”. E o pior: o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) reconheceu que o problema não tem solução. Nem a longo prazo.
Mesmo com os recursos gastos em obras para contenção das inundações, aproximadamente R$ 2 milhões, a população continua exposta aos riscos e incômodos das enchentes. “Se chover dessa forma de novo, vai inundar. Não tem o que a Prefeitura fazer”, disse Rocha.
Na sexta-feira, o tucano admitiu que os esforços de sua administração no combate às inundações foram infrutíferos.
Apesar da canalização de um trecho de aproximadamente um quilômetro do Córrego dos Bagres e o alargamento na confluência entre a via d’água e os outros córregos, Cubatão e Espraiado, as enchentes causaram muitos estragos e prejuízos.
O crescimento populacional e a conseqüente expansão territorial também foram citados pelo prefeito como fatores que colaboram para que as inundações se tornem inevitáveis. “A cidade vem crescendo, as construções surgindo, as áreas asfaltadas. Com isso, diminuem as áreas de absorção pelo solo, o que aumenta ainda mais o volume de água que cai nos córregos”, disse Rocha. “Vamos trabalhar para minimizar o problema, alargar córregos, ampliar pontes e tudo mais, mas não há uma solução definitiva. Mas sempre dependeremos da quantidade de chuva que cair”.
A construção de piscinões, citada recentemente pelo secretário de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, como uma forma de combater as enchentes, foi praticamente descartada por Rocha. “São obras caras e que não garantem nada. Em São Paulo, por exemplo, dos muitos que foram feitos, só o piscinão do Pacaembu resolveu o problema de verdade”.
Não é a primeira vez que um prefeito admite ser impossível acabar com as inundações na cidade. Gilmar Dominici, que governou Franca entre 1997 e 2004, já havia dito durante seu segundo mandato que a cidade estará sempre sujeita a enfrentar o problema. “Independente do que se faça, nunca haverá cem por cento de garantia. Dependendo do volume de água, nada segurará”, disse. “Um bom exemplo são as recentes obras no córrego, que não resolveram nada”, alfinetou o petista.
SOLUÇÕES?
Só resta à Prefeitura tentar minimizar o efeito que as enchentes causam. Segundo Rocha, ainda esse ano, será feito o rebaixamento e o alargamento do Córrego dos Bagres e a ampliação de uma ponte nas proximidades do Posto Galo Branco. “As paredes do córrego, que hoje são inclinadas, vão ficar retas, o que aumentará a capacidade de vazão”, disse o tucano. “Já era para ter feito isso, mas o período de chuvas começou mais cedo e não tinha como colocar as máquinas dentro do córrego”, disse. A previsão de gastos com a obra seria entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão.
Colaborou Renata Modesto
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