Esquartejamento de criança, a última novidade da poderosíssima criminalidade nacional. Notícia no mundo, assunto do dia, motivo de todos os comentários. Desespero e emoção marcaram o sepultamento de João Hélio Fernandes, 6 anos, que foi arrastado por sete quilômetros por bairros da zona norte do Rio de Janeiro, na última quarta-feira. A irmã dele, Aline, 13 anos, deu o tom do enterro. Chorando e gritando, ela disse: "Eu quero meu irmão. Eu quero meu neném de volta. Eu quero ouvir a vozinha dele. Eu quero ir com ele. Eu vou ficar com ele até o fim porque ele está vivo. Eu vou matar aqueles dois. Eles levaram o meu irmão".
Será que é preciso uma garota de 13 anos gritar que vai matar assassinos nojentos para que alguém perceba que passou da hora de um país selvagem como o Brasil instituir penas mais severas?
Alguém se colocou no lugar da menina, vendo seu irmãozinho sendo arrastado do lado de fora de um carro? Qual o futuro de um país onde prolifera a matança e a barbárie, em que política e político são sinônimos de ladroagem? O que será deste lugar onde Juíza do Supremo é assaltada, Juiz do Trabalho é ladrão e onde a bispa e o apóstolo, mesmo presos, ganham mais um canal de televisão?
O Brasil é isso aí, menino João. Hoje, uma verdadeira avacalhação. E, quanta idiotice a gente escuta sem querer nessas ocasiões, principalmente em locais de concentração do povão: "Pô, não tava bão só matá? Precisava arrastá?" Nada mais natural num país onde a ignorância atinge níveis assustadores; onde muitos acham maravilhoso sobreviver com uma esmola mensal ao invés de usufruírem os reais benefícios de um emprego. O que esperar desse nosso "brasilzinho”, rebaixado à quinta categoria quando o quesito é Justiça?
Hoje eu grito por socorro a esta família, amanhã pode ser pela minha, mas também pode ser pela sua. Onde estão nossos políticos para lutarem por penas mais severas neste país sem limite? Condenar quem clama pela pena de morte é muito fácil, quando não se é mãe da vítima, quando não se sente a espada dessa escória esquartejar sua família.
Mas voltando ao seu caso, pequeno João, minha esperança é que os caras que organizadamente controlam a criminalidade no país tomem as providências e façam justiça. Mesmo comandando os CVs e PCCs eles não admitem essas barbaridades e via de regra usam a mais elementar tática de guerra pra vencer a batalha, ou seja, eliminam o inimigo. Com uma vantagem, João. O "serviço" sendo feito assim, a mando deles, nenhum religioso ou intelectual de meia tigela será ouvido para defender os tais direitos humanos.
Não vai ter espaço para nenhum imbecil propalar aos quatro cantos que seus algozes, João, foram vítimas da violência policial. Por falar em direitos humanos, que tomem vergonha na cara e tratem de cuidar dos direitos dos humanos, pois para defesa dos animais já existe outra instituição que está apta a isso!
Vamos continuar esperando que nossos políticos dêem a cara à tapa e se mexam. Ganham para isso, para nos representarem e nos defenderem. Vamos exigir penas mais severas. Não suporto mais ver sangue pingando dos olhos de tantas mães! Deus não pactua com injustiça e impunidade!
É, João. Estou torcendo para a chefaiada dar a "ordem" rapidinho, para os caras que fizeram isso com você chegarem aí daqui a pouco e vocês acertarem as contas na frente do Homem.
Acho que ao encararem a situação eles vão repetir as mesmas palavras que seus amiguinhos de seis anos e pouco e outras milhares de crianças ouviram sexta-feira na televisão, dito as dez e vinte e cinco da noite por um participante do programa que hoje representa o melhor da educação e da cultura brasileira, líder de audiência, preferência nacional, Big Brother Brasil: "P... que o p..., que m...!". Pelo menos desse Brasil, você está livre, João. Fique com Deus.
EDWARD DE SOUZA é jornalista e radialista francano
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