Museu Washington Luís está às moscas


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Durante todo o ano de 2006, menos de 80 pessoas visitaram o Museu Histórico e Pedagógico Washington Luís, em Batatais. Instalado há um ano e oito meses no prédio da Estação Cultura, a antiga média de visitação diária passou a ser o número total de visitas no ano. Está tudo parado. Dá para ouvir o canto dos passarinhos e o sopro do vento. Localizado no prédio da antiga Estação Mogiana de trens, na extremidade do Bairro Castelo, o Museu Washington Luís passa a maioria dos dias vazios, freqüentado apenas por funcionários e um ou outro aluno curioso dos cursos de música e pintura que acontecem nas salas ao lado. De acordo com a pesquisadora cultural e responsável pelo museu, Alessandra Baltazar, em média uma pessoa visita o local a cada cinco dias. No ano todo, foram 80 visitantes. E Alessandra ainda faz uma ressalva: "deu esta quantidade porque estou contabilizando duas excursões. Outros são pesquisadores. Visitas individuais, mesmo, não deve ter passado de 20". Ela resume o fracasso de público em uma conta simples. "O público anual de hoje era o público diário antes da mudança de local", disse. De 1988 até maio de 2005, o museu estava abrigado na Casa da Cultura, ao lado da Igreja Matriz. Antes da mudança, a maioria das quase 3 mil pessoas que visitam a igreja mensalmente também aproveitava para conhecer a Casa da Cultura e, conseqüentemente, o museu. Porém, em maio de 2005, após uma batalha judicial entre a família "Alves Ferreira" e a Prefeitura de Batatais, a casa foi devolvida aos seus herdeiros e fechada para visitação. Mas o problema não é só a dificuldade de acesso. Para Alessandra, o marasmo é conseqüência de uma combinação de fatores. "Tem os dois lados. De minha parte falta divulgar o museu como um espaço de memória, renovar o acervo e buscar referências que aproximem o local da população. Por outro lado, tem a questão da cultura. As pessoas têm pouco interesse em história", afirmou. Alessandra lembrou que o esvaziamento de museus não é um problema local e citou a Política Nacional dos Museus, lançada pelo ministro Gilberto Gil, como exemplo de que a situação se repete em outros espaços históricos do País. "Os museus menores não têm público. A Política Nacional dos Museus busca essa conscientização de educação patrimonial", afirmou. 50 ANOS O Museu Washington Luís foi fundado em 1957 e já ocupou locais como duas casas na Rua Coronel Joaquim Alves e até mesmo o prédio onde hoje é a escola Sesi, em Batatais, antes de ir para a Casa da Cultura. O local é um espaço histórico que abriga peças do início do século 20 e objetos pessoais de importantes figuras políticas, militares e históricas do País. Artigos como mobiliários com pés em formas de garra, maquinários, objetos domésticos de 1920 e até mesmo diversos pertences como medalhas e placas de hon-rarias a Washington Luís, fazem parte do acervo. Este ano, em que o museu completa 50 anos, para tentar reverter a situação da falta de público Alessandra disse que tem projetos em fase de planejamento. "Vou começar uma campanha de divulgação. Em setembro o museu completa 50 anos e pretendo fazer um trabalho de visitas monitoradas e oficinas", afirmou. O Museu Histórico e Pedagógico Washington Luís funciona de segunda a sexta-feira, das 8 às 11 horas e das 13 às 17 horas. A entrada é gratuita.

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