Santa Casa tem novo provedor a partir de hoje


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José Cândido Chimionato tem a missão de administrar um déficit mensal de R$ 842 mil
José Cândido Chimionato tem a missão de administrar um déficit mensal de R$ 842 mil
Depois de assembléia marcada para hoje, o representante comercial na área de couros, José Cândido Chimionato, 61, deverá se tornar o novo provedor da Santa Casa. Chimionato substituirá o empresário Onofre Trajano, que ocupa o cargo há três anos, e tem pela frente pelo menos dois desafios: a grande dívida do hospital e a recente rixa entre médicos do corpo clínico e a direção. Trajano promete não abandonar o hospital. Ele ocupa a vice-presidência de uma chapa que tem 11 membros. "Serei o vice-presidente para ajudar no que for preciso", disse o empresário, que é um dos donos do Magazine Luiza. Ele se manterá como provedor do Hospital do Câncer e aposta alto em seu sucessor. "É uma pessoa que tem personalidade forte, é honesto e tenho certeza de que fará um bom trabalho". Chimionato é natural de São Simão e reside em Franca desde 1963, quando tinha 17 anos. Casado, formado em Administração, Economia e Direito, trabalhou durante 27 anos no curtume Della Torre. Quando Antônio Della Torre, proprietário da empresa, assumiu a provedoria do hospital na década de 80, Chimionato teve sua primeira experiência na administração da Santa Casa. Na mesma década, chegou a ser co-proprietário de uma fábrica de calçados. Hoje tem uma empresa de representação comercial com um de seus quatro filhos. Nem a responsabilidade de administrar um hospital que carrega um déficit mensal de R$ 842 mil e uma dívida de 22,5 milhões, nem o fato de ter de substituir um administrador que utilizou seu prestígio pessoal inúmeras vezes para conseguir verbas para a Santa Casa assustam o novo provedor. "A gestão personalista dele (Trajano) fez, muito bem, aquilo que precisava se fazer para manter a Santa Casa funcionando. Agora, de tão grande que é o nosso déficit, todos no hospital sabem que não será na comunidade que conseguiremos verbas para cobri-lo". Com um discurso firme, Chimionato deixa claro como planeja sanear as finanças do hospital. "Não tem outro caminho senão o Poder Público pagar pelo serviço que prestamos para ele. Podemos até fazer caridade para quem precisa, mas não para o Poder Público, que pode pagar pelo serviço", disse. A diretoria do hospital, alvo recente de críticas de membros do corpo clínico que a acusam de agir com autoritarismo, dificultar as condições de trabalho e ampliar o déficit do hospital, não deve ser alterada pelo novo provedor. Ontem, Chimionato evitou falar sobre possíveis medidas que pode tomar para acabar com a briga. "Estamos preocupados com a solvência da Santa Casa. Se isso não acontecer, nada mais faz sentido". Marco Aurélio Piacesi, presidente do Sindicato dos Médicos de Franca e um dos principais críticos da direção da Santa Casa, não acredita que haja grande mudança na forma como os médicos do hospital têm sido tratados, mas prefere aguardar para ver como a equipe de Chimionato administrará a instituição. "Nós vamos ter que ver eles agirem. O provedor passa a ser outro. Passado um mês, dois, ele passará a sentir o peso do cargo", disse.

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